Autor: Filipe Manuel Neto
**Um ensaio sobre a cobiça.**
Este é um filme que gira inteiramente em redor da cobiça, e dos malefícios que traz quando a ganância por dinheiro se torna a razão de viver de uma pessoa. Muito bem dirigido por Oliver Stone, o filme mostra a ascensão e queda de Bud, um corrector da Bolsa de Nova Iorque que, levado pela cobiça, se associa a Gordon Gekko, um amoral tubarão das finanças. Os lucros acontecem, e a vida de Bud leva uma reviravolta, mas a certo ponto ele percebe que está, de uma certa forma, vivendo no limite das suas próprias convicções de certo e errado e, quando isso ameaça o emprego do seu próprio pai, Bud tem de decidir de que lado da moralidade está.
O filme está carregado de mensagens morais acerca do dinheiro, da especulação e da ganância, o que é bom. Stone quis, sem dúvida, deixar um alerta quanto aos perigos do capitalismo selvagem e da falta de ética negocial. Conseguiu. O filme faz qualquer um pensar duas vezes antes de investir em bolsa.
O elenco do filme é forte, está cheio de nomes sonantes e cada actor faz um excelente trabalho, em particular graças ao bom material que cada um recebeu. De facto, as personagens foram muito bem feitas e desenvolvidas de modo inteligente. Charlie Sheen brilhou como Bud Fox, e tem neste filme um dos papeis mais interessantes da carreira. Michael Douglas também esteve magnífico num papel de vilão onde acentuou a amoralidade da personagem e deu ao filme uma força e impacto notáveis. Também ele, aqui, obteve uma das performances mais marcantes da sua vida profissional, tanto que lhe rendeu o Óscar de Melhor Actor nesse ano. Martin Sheen também fez uma boa participação e as partes mais emotivas do filme são obra da boa colaboração profissional entre ele e Charlie, que é seu filho na vida real e também neste filme. O pior foi, mesmo, Daryl Hannah, numa performance desinspirada e insípida de uma menina bonita e materialista.
Em geral, este filme vale a pena pela boa história que conta e pelas performances excelentes dos actores. De fundo moralista, envelheceu bem e continua a parecer actual, mesmo vinte anos após ter sido lançado. E mesmo que detestemos a filosofia amoral e enviesada de Gekko (traduzida no seu famoso discurso "A Cobiça é Boa"), não podemos negar o magnetismo, o charme e os atractivos da personagem. O mal é sedutor, e Michael Douglas captou isso muito bem.
Em 14 Dec 2019