Autor: Filipe Manuel Neto
**Um bom thriller com muito ‘suspense’ e tensão, que merecia ser revisto e repescado para novos públicos.**
Há filmes que ficam injustamente no esquecimento após o lançamento dos seus respectivos remakes contemporâneos, e eu não tenho dúvidas de que este pode ser incluído nessa lista. Foi um filme produzido e protagonizado por Gregory Peck, um dos astros do cinema dos anos 60, e conta com um grandioso elenco e um bom roteiro, com elementos que nos lembram um pouco a estética dos filmes “noir” e de alguns filmes de Hitchcock. Infelizmente, a maioria das pessoas só viu o remake de 1991, de que falaremos em devido tempo e lugar. Talvez isso se deva, pelo menos em parte, ao enorme fracasso financeiro do filme, que ditaria o fim da produtora de Peck.
O roteiro é muito bom e é baseado num romance chamado *The Executioners*. Conta a história de um advogado, Sam Bowden, que vive numa região costeira da Geórgia ou do Norte da Flórida, e que começa a ser assediado e perseguido, de modo discreto, mas ameaçador, por Max Cady, um ex-presidiário que, oito anos antes, foi condenado graças ao testemunho de Bowden, tendo-lhe ganho um ódio visceral que, agora, tenciona satisfazer pela vingança. Perante a insistência de Cady, que não faz nada mais do que aparecer onde quer que Bowden e a sua família resolvam circular, a Polícia não pode actuar além da vigilância apertada. Porém, ele sabe que é questão de tempo para que algo realmente aconteça.
O roteiro é muito bom, mas confesso que encontrei algumas falhas. Eu não conheço as leis dos EUA, mas no meu país é possível às leis imporem o afastamento de duas pessoas se uma delas se sentir coerentemente intimidada ou ameaçada pela mera presença ou proximidade da outra. Claro, a premissa de isso não ser possível na lei americana acaba por permitir ao filme chegar à conclusão que tem, com o confronto final dos dois homens. Seja como for, o filme funciona e é eficaz no afã de criar ‘suspense’ e de nos dar uma verdadeira sensação de tensão e de ameaça.
Habilmente dirigido por J. Lee Thompson, o filme é protagonizado por Gregory Peck, que nos dá um trabalho muito bom, ainda que não seja particularmente notável e seja bem coadjuvado por Polly Bergen e Lori Martin. De facto, é o grande desempenho de Robert Mitchum, que deu vida ao vilão, que nos encanta e rouba a nossa atenção. Ele é naturalmente ameaçador, com a sua presença aparentemente pacífica a soar sempre de modo enganador e tenso. O filme conta com alguns bons actores secundários, como Telly Savalas e Martin Balsam.
Tecnicamente, não é um filme pretensioso ou que pareça ser muito caro. A cinematografia não é particularmente notável, mas aproveita bem o que tem e dá-nos alguns close-ups muito bem executados, assim como algumas cenas com uma iluminação e estilo que deixam transparecer a influência do ‘noir’ e de Alfred Hitchcock. O destaque vai, sem dúvida, para os efeitos visuais e de som e para a excelente e icónica banda sonora, composta por Bernard Herrmann, e depois reaproveitada para o filme remake.
Em 22 Jun 2022