Autor: Filipe Manuel Neto
**Uma comédia negra feita para um nicho restrito de público.**
O filme acompanha boa parte da história jugoslava, desde a sua ocupação pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial até ao seu desmembramento. Isso é feito através de um pequeno punhado de personagens: Marko e Blacky são amigos, mas seguem trajectórias de vida diferentes: um torna-se numa espécie de chefe do Partido Comunista, o outro o chefe de uma fábrica clandestina de armas, que ajuda o outro a enriquecer
Dirigido por Emir Kusturica, é um filme bastante surreal e difícil de entender, que parece ter sido feito para um público de nicho ao qual eu não pertenço. Há qualquer coisa de profundamente cínico em tudo isto, especialmente se considerarmos a forma crítica como o director pensou o filme: é um filme que não se preocupa em explicar os acontecimentos históricos, presume que já os conhecemos, e labora sobre eles de modo a criticar a maneira como encaramos os heróis de guerra.
Eu sinceramente prefiro não falar muito sobre o elenco porque não conheço nenhum dos envolvidos. De qualquer modo, sinto que fizeram um trabalho bastante satisfatório, considerando o filme que é e o que o director quis fazer. O roteiro tem imenso humor negro, por vezes de gosto discutível, e há uma série de questões que, se pensarmos bem, nos fazem questionar a plausibilidade do roteiro. Por exemplo, como é possível um grupo de pessoas ficar tanto tempo escondida num subterrâneo sem saber o que se passa no mundo ao seu redor. Não faz muito sentido.
Tecnicamente, o filme tem excelentes cenários e uma cinematografia bastante bem conseguida. A edição é, contudo, um pouco mal feita na medida em que o filme não consegue manter um ritmo regular, com várias cenas longas demais. Mas o que mais me cansou e irritou foi a estridente banda sonora, dominada por uma banda de metais e músicas, com uma adequada sonoridade eslava, mas exageradamente fortes e chamativas.
Em 20 Apr 2023