Cartas de Iwo Jima

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Lançamento: 09 Dec 2006 | Categoria: Filmes

Cartas de Iwo Jima

Nome original: Letters from Iwo Jima

Idiomas: Inglês

Classificação:

Genero: Ação, Drama, Guerra

Site:

Poster: Ver poster

Produção: Warner Bros. Pictures, DreamWorks Pictures, Malpaso Productions, Amblin Entertainment

Sinopse

Cartas há muito tempo enterradas em uma ilha revelam as histórias dos soldados japoneses que lutaram e morreram durante a Segunda Guerra Mundial. Entre eles estão Saigo, Baron Nishi e Shimizu. Embora o tenente-general Tadamichi Kuribayashi sabe que ele e seus homens têm virtualmente nenhuma chance de sobrevivência, ele usa suas extraordinárias habilidades militares para deter as tropas americanas pelo maior tempo possível.

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Reviews

Autor: Filipe Manuel Neto

**A história na perspectiva dos perdedores.** Este filme recria a Batalha de Iwo Jima, na perspectiva dos soldados japoneses. Dirigido por Clint Eastwood, o filme tem roteiro de Iris Yamashita e a participação de Ken Watanabe, Tsuyoshi Ihara e Kazunari Ninomiya. Este filme veio no seguimento de um outro, "As Bandeiras dos Nossos Pais", mas não é só mais um filme de guerra da Segunda Guerra Mundial. Este filme mostra a crueza da guerra, especialmente nos seus aspectos psicológicos e humanos. Procura mostrar que na guerra não há vencedores ou vencidos porque todos perdem, não há bons ou maus mas sobreviventes. O Japão, durante este período histórico, teve uma mentalidade centrada no patriotismo, na honra e no culto à vitória. Para eles, perder e morrer era menos desonroso do que render-se, num código militarista muito semelhante ao que adoptaram os espartanos milhares de anos antes. Outro ponto abordado pelo filme, embora de forma mais subtil, é a propaganda de guerra: na óptica dos japoneses, o inimigo foi demonizado para instigar os soldados a lutar até ao fim, seguindo os preceitos dessa filosofia militarista e de honra. Os actores revelaram-se à altura do desafio, dando vida a um leque de personagens muito complexas. O mais famoso actor deste filme, pelo menos para nós, ocidentais, será certamente Ken Watanabe, actor nipónico já com escola em Hollywood e que deu vida ao general Kuribayashi, figura que bem pode representar as contradições da guerra: após estudar e viver nos Estados Unidos, antes da guerra, vê-se agora a lutar contra os americanos e a aproveitar o seu conhecimento sobre as tácticas militares americanas para antecipar os seus movimentos. Todos os actores de origem japonesa falam na sua língua materna, o que pode representar um pequeno problema para a comercialização e popularidade do filme mas soa bem, enquadra-se no filme de uma forma altamente positiva. A fotografia, pesada e cinzenta, encaixa bem num filme como este e há cenas em que contribui muito para a sua beleza. Os trajes e armas são historicamente precisos e os efeitos visuais, de som e especiais têm enorme qualidade. A banda sonora, que foi escrita por Kyle Eastwood e Michael Stevens, é muito interessante, especialmente o tema principal, com um toque ligeiramente oriental, como um gemido melancólico. Normalmente não gosto muito dos filmes de Eastwood, mas devo dizer que fiquei impressionado com este. Merece ser visto por todos os que gostam de um bom filme de guerra, acção ou baseado em factos históricos. O rigor histórico foi aparentemente levado a sério (pelo menos até onde eu fui capaz de averiguar). Se é verdade que todos aqueles que não recordam a História estão condenados a repeti-la, esse filme pode ajudar a que isto nunca mais aconteça.

Em 23 Feb 2018

Autor: Filipe Manuel Neto

**UM RETRATO DIGNO DE UM MOMENTO HISTÓRICO RELEVANTE.** CRÍTICA FEITA QUANDO DECIDI REVER O FILME. Clint Eastwood tornou-se há muito um dos grandes nomes do cinema norte-americano, brilhando à frente das câmaras e como director. Enquanto preparava o filme “Flags of Our Fathers”, focado na batalha de Iwo Jima, em 1945, Eastwood deparou-se com um livro japonês com transcrições das cartas e mensagens do comandante da guarnição de Iwo Jima, general Kuribayashi. Compreendeu então a necessidade de equilibrar a perspectiva do vencedor com a do vencido e de contar os dois lados da história em dois filmes, contratando a argumentista japonesa-americana Iris Yamashita para o roteiro deste filme. A preocupação deles era garantir humanidade, textura e autenticidade às personagens, honrando os combatentes nipónicos mortos, evitando preconceitos ou vieses de narrativa. Eastwood insistiu que o filme fosse falado em japonês e explorasse a dicotomia entre o desejo de voltar para casa e o dever de lutar até à morte, sem admitir derrota ou rendição. As filmagens decorreram ao mesmo tempo que “Flags” e eu acredito que muitos figurantes entraram em ambos os filmes. Eastwood admitiu que o esforço da produção foi planeado em conjunto para os dois filmes, a fim de reduzir custos. Eastwood conseguiu uma permissão especial para filmar em Iwo Jima, que não só continua militarmente activa como é considerada sagrada pelos japoneses, como memorial de guerra e cemitério militar. Assim, a produção assegurou a imperturbabilidade do local, mantendo os trabalhos ao mínimo, o que não foi difícil pois o ambiente, segundo os relatos, era denso, pesado e silencioso. As cenas de combate foram filmadas nas praias da Islândia e para as cenas nos túneis usaram uma velha mina em Barstow, Califórnia. O couraçado-museu USS Texas, que lutou de facto na batalha, foi usado nas filmagens de ambos os filmes e, num esforço de autenticidade, Eastwood limitou o uso de CGI, usando efeitos visuais práticos e uma boa colecção de efeitos de som. A produção fez um esforço considerável para retratar os acontecimentos de maneira respeitosa e fiel, apoiando-se em documentos e relatos da época, pelo que podemos considerar o filme historicamente preciso. Ken Watanabe, o protagonista do filme, foi o único actor que Eastwood quis verdadeiramente no seu filme. O talentoso nipónico já tinha muita experiência com produções norte-americanas e a sua versatilidade era muito bem conhecida e respeitada. Para se preparar, o actor estudou profundamente a vida do general Kuribayashi e estudou cuidadosamente as cartas e mensagens originais, procurando humanizar a personagem e mostrar-nos o homem dentro do uniforme. O resultado desse trabalho é, podemos dizer, um dos trabalhos mais sólidos da carreira deste respeitado actor. A sua participação no filme foi um bónus adicional considerando que Eastwood não falava japonês e ele podia actuar como intérprete, além de ter colaborado com a argumentista e a equipa de modo a garantir que os rituais religiosos apresentados e os diálogos entre soldados estavam de acordo com a praxis e etiqueta militar japonesa daquela época. O resto do elenco deste filme foi escolhido por casting e é composto por actores desconhecidos, mas que fazem um trabalho bastante honesto e empenhado. Creio que é justo destacar particularmente Kazunari Ninomiya, cuja personagem espelha bem o soldado comum japonês, e Tsuyoshi Ihara, que nos oferece uma leitura interessante e crível dos oficiais, com uma mentalidade muito mais orientada e dirigida para a conservação da honra e o cumprimento do dever. Curiosamente, este filme foi tão bem sucedido que acabou por ensombrar completamente “Flags”, o seu filme-irmão, do qual pouca gente se lembrará hoje. A sua recepção no Japão foi um sucesso considerável: a opinião geral dos críticos e do público nipónicos foi que o filme consegue representar com dignidade e realismo a sua mentalidade, deixando para a posteridade uma representação respeitosa de momentos que, para os japoneses, ainda hoje são dolorosos e fracturantes. O estilo de direcção cru e realista de Eastwood certamente contribuiu para esta sensação de respeito, de dignidade realista, que o filme perpassa para o público, mas a interpretação soberba de Watanabe e o esforço colectivo de mostrar os acontecimentos de maneira autêntica também ajudou nessa percepção. A cinematografia, habilmente trabalhada por Tom Stern, aposta muito em cores desmaiadas, dando ao filme um visual metálico e opressivo que os túneis e as praias negras, de areia vulcânica, tornam em algo verdadeiramente sombrio. Nas cenas nos túneis, o cinegrafista usou iluminação controlada, valorizando a expressividade dos rostos dos soldados e dando-nos um olhar diferente, onde se valorizam as emoções e o realismo das decisões tomadas diante da certeza da derrota. É um filme digno, que honra os combatentes que morreram de ambos os lados do conflito e honra o momento histórico que retrata.

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