Autor: Filipe Manuel Neto
**Melhor do que o comum filme de videojogos.**
Em geral, eu não espero nada positivo de filmes que tenham sido baseados em jogos de vídeo e este não foi excepção quando, ainda há pouco, o apanhei num canal de TV que se dedica ao cinema. Como vi a versão dobrada para português (a língua oficial de Portugal), não posso nem vou falar do trabalho de dobragem feito para o filme original, deixando só uma nota breve, mas positiva, para o esforço dos artistas de voz portugueses chamados para este trabalho, em especial o trabalho de Vasco Palmeirim, que deu voz a Red.
O filme foi feito pela Sony Pictures Animation e procura trazer para o cinema as tropelias da rivalidade entre os pássaros de uma pequena ilha e os porcos de uma ilha vizinha. Esta rivalidade está na origem de brigas constantes que são, essencialmente, o cerne do jogo original, que eu nunca joguei porque sempre me pareceu infantil e raso na sua premissa. Sendo um filme de animação digital, o CGI impera com um domínio absoluto, e tudo foi feito em computadores de última geração pelos melhores técnicos e artistas gráficos que Hollywood consegue formar. O resultado é um colírio visual, com imagens detalhadas o bastante para serem bonitas (veja-se como eles fizeram as penas dos pássaros parecerem lustrosas) e cores extremamente vívidas e intensas, que vale a pena admirar na resolução máxima que encontrarmos disponível.
As personagens, eu confesso, são basicamente desconhecidas para mim, mas reconheci Red e os Porcos das várias representações publicitárias do jogo original. A julgar por essa memória visual que guardei, posso afirmar que as personagens deste filme emularam bem o visual e aparência das personagens dos jogos, dando talvez aos Porcos um pouco mais de corpo do que habitualmente (no jogo, se não me engano, são resumidos à cabeça). É claro, tratando-se de um filme longa-metragem, os argumentistas tiveram de fazer mais um esforço para dar personalidade a algumas destas criaturinhas, como Red, Bomb ou o Porco Rei. Parece-me, pelas diferenças visuais, que Mighty Eagle foi criado de propósito para o filme, o que lhe dá originalidade, mas pode confundir ou irritar os fãs do jogo.
O roteiro é, essencialmente, raso e com pouco a oferecer-nos, guardando quase tudo para o clímax do filme. Não há, realmente, muito o que possa ser feito com um jogo de vídeo tão básico! Só consigo imaginar algo pior se tentassem fazer um filme com base no jogo “Minesweeper”, aquele bom e velho clássico que entreteve o ócio de todos os que ainda são do tempo do Windows 98 ou XP! São jogos sem grande coisa para dizer além de que existem e entretêm quem os joga para entreter tempo. No entanto, o roteiro compensa a falta de uma história decente com um bom factor de entretenimento, diálogos criativos e um bom punhado de piadas e momentos cómicos que não deixam o filme ser cansativo.
Em 05 Oct 2025