Autor: Filipe Manuel Neto
**A performance de Cate Blanchett é razão suficiente para ver este filme.**
Woody Allen é um director que, às vezes, atinge o alvo e, noutras vezes, dispara para os pés, mas nunca deixa de ser interessante e inovador. Aqui, ele tenta fazer a sua própria versão de "Um Eléctrico Chamado Desejo": Jasmine é uma dama da sociedade, muito rica, que tem que se despedir da sua vida de luxo quando o marido é preso por fuga aos impostos e a Receita Federal confisca quase tudo o que era do casal. Assim, a antiga milionária é forçado a ir para casa da sua irmã, que vive uma vida comum que ela agora despreza. Para piorar, ela está psicologicamente descompensada e teve um colapso nervoso.
O filme usa bem o charme e elegância de Cate Blanchett, que é protagonista e faz uma performance extraordinária. A sua interpretação é tão boa que é razão suficiente para ver o filme. Ao lado, vários bons actores dão-lhe ainda mais espaço para brilhar. O destaque, é claro, vai para Alec Baldwin, Andrew Dice Clay e Sally Hawkins, esta última no papel da irmã de Jasmine.
O filme aborda as relações entre personagens e o modo como tentam gerir a vida. O fim é um pouco súbito, até um pouco triste porque a personagem principal está totalmente deslocada, num mundo que não a entende e que ela não está preparada para aceitar. Finalmente, uma nota de louvor para a banda sonora, baseada em jazz e blues, cheia de elegância e que aponta para a psique da personagem-título.
Em 24 Aug 2018