Autor: Filipe Manuel Neto
**Duro de assistir, é desaconselhável para públicos sensíveis.**
Este filme já tem algumas décadas mas não se tornou um clássico, talvez, por ser tão chocante como é. De facto, o filme é bastante difícil de ver e totalmente desaconselhável para crianças, jovens adolescentes ou mesmo adultos que sejam mais impressionáveis!
O tema do filme é a violação de uma jovem mulher de férias numa localidade rural e numa casa isolada, bem como a vingança dela sobre quem a violou. É algo que me parece bastante em linha com o pensamento e as modas da década de Setenta, fértil em filmes com nudez e temas relacionados à sexualidade. Mas esta nudez não foi pensada para excitar ou parecer sensual: tudo neste filme é brutal. O filme contém uma longa (a mais longa de sempre no cinema) sequência de violação em que quatro homens, um atrás do outro, violam, insultam e brutalizam aquela jovem até ela não ser capaz de andar ou se manter em pé. Por fim, têm a ideia de a matar, mas o elemento do grupo que o deveria ter feito não foi capaz e fingiu cometer o crime.
Polémico, o filme foi tão duro que mesmo na altura em que foi para os teatros recebeu duras críticas e mesmo alguns boicotes, chegando a ser retirado de circulação. Todavia, resultou no essencial: o filme mostra de forma duramente real os efeitos de uma violação na perspectiva da vítima, e nós conseguimos realmente sentir pena dela e piedade pela situação em que ela está, bem como ódio daqueles homens. O pior do filme, contudo, é a forma como eles morrem no fim: as mortes nunca soam credíveis e nota-se perfeitamente que é tudo a fingir.
Do elenco eu creio que não vale a pena falar muito. Sendo um filme brutal e feito com muito baixo orçamento, recorreu a actores desconhecidos. Mas gostei da performance da actriz, Camille Keaton, acho que foi bastante fiel à personagem e dá-lhe uma dose de verosimilhança e realismo bastante agradáveis. Também gostei do trabalho de Richard Pace, que deu vida ao mais humano dos agressores, um retardado mental influenciado pelos outros.
Tecnicamente, é um filme que não sobressai nem tem muito o que apresentar. Não tendo um orçamento alto, usou o que tinha. Há bastante sangue falso, muito vivo e tão brilhante que se percebe à distância que é falso. O trabalho de maquilhagem foi bastante bem feito, com uma cicatriz muito bem desenhada no rosto da actriz e toda a sujidade e sangue nos corpos a serem muito realistas. O filme opta intencionalmente por não usar banda sonora com excepção de uns excertos de ópera. A cinematografia não sobressai nem se destaca, e tampouco os cenários e os figurinos, onde a nudez frontal do elenco é recorrente e quase comum. Gostei, porém, da forma como a actriz principal muda de figurino após ser atacada: se antes do ataque parecia gostar de usar poucas roupas e roupas leves, há muito mais tecido depois, com as cenas na igreja a destacarem-se claramente, retractando a actriz quase totalmente coberta naquilo que terá sido, de acordo com a história, um verão bastante quente. Sequelas psicológicas do ataque?
Em 09 Oct 2020