Autor: Filipe Manuel Neto
**Uma Ema fútil e tola demais para ser levada a sério, mas que entretém e tem alguns bons momentos.**
Jane Austen é uma das grandes escritoras em língua inglesa e a sua obra tem sido um terreno fértil para adaptações e releituras no teatro, na televisão e no cinema. Do lixo ao luxo, não há falta de opções, e cada uma se destaca por uma razão ou outra. Este filme foi inspirado por um dos romances da autora sobre uma jovem carismática e sonhadora que ganha prazer em juntar conhecidos e amigos, e fazer de casamenteira. O problema é que, no fundo, ela mesma sente-se só e não vê realmente um homem capaz de a fazer suspirar, e quase todos os arranjinhos de namoro que faz também acabam por dar péssimos resultados.
De facto, este é mais um dos trabalhos onde Austen critica a sociedade que conhece, e onde as pessoas são medidas pelos seus rendimentos e bens fundiários, ficando o seu carácter e outros detalhes “secundários” para trás. Era uma sociedade elitista, mais burguesa que aristocrática (o que define o valor da pessoa é o seu rendimento, e os títulos nobiliárquicos acabam por ser um meio de provento financeiro e não um sinal de honra e nobreza), e onde o amor, o romance e a opinião dos noivos não era muito considerada quando o assunto era arranjar casamento. Tudo isso é visível aqui. Filmado como uma espécie de comédia romântica, o grande problema deste filme é que tudo parece um pouco vão, superficial e tolo demais para ser levado a sério.
Gwyneth Paltrow teve, neste filme, um dos seus primeiros papéis de grande notoriedade, e nós podemos dizer que, apesar do tempo que passou e de a actriz continuar activa, ainda é um dos melhores filmes que ela fez. Paltrow sabe ser ingénua e bem-intencionada sem parecer muito idiota por isso, e consegue equilibrar habilmente as atitudes da personagem dela no intervalo ténue entre a tolice gentil e o mimo excessivo de quem cresceu com tudo o que queria. Melhor ainda, Jeremy Northam faz um trabalho extraordinário e o mesmo pode ser dito de Toni Collete e de Alan Cumming. Denys Hawthorne também faz o que pode, mas como muitos dos actores mais secundários, não tem material tão bom quanto os outros.
A nível técnico, o filme destaca-se pela qualidade da cinematografia, dos cenários e figurinos. A produção fez um grande esforço para recriar a época e os ambientes de forma realista, credível e inteligente. Todavia, é a única coisa. Os diálogos podiam ser francamente melhores, não há virtualmente efeitos notáveis (mas os que foram utilizados funcionam muito bem) e a música e banda sonora são totalmente dignas do esquecimento.
Em 09 Jun 2023