Autor: Filipe Manuel Neto
**A invasão das bolas de pêlo devoradoras de carne.**
Se o filme *Gremlins* me pareceu estranho, ainda que divertido, este filme, lançado quase na mesma época, é muito mais surreal, posto que o roteiro se baseia na chegada a uma casa isolada numa vila rural do Kansas, de uma praga de alienígenas peludos, vorazes, dentuços e mortais. Eu confesso, não sou um fã de filmes sobre alienígenas. E ver estas bolas de pelo comedoras de carne não é rigorosamente algo que eu pense ver novamente, ainda que tenha achado o filme, no geral, tolerável. É um filme onde a comédia e o sci-fi andam de mãos dadas e onde o ‘suspense’ impera… há também algumas cenas tensas, embora não assustadoras.
O roteiro é, basicamente, aquilo que eu disse: um grupo de criaturas peludas e particularmente vorazes foge das autoridades estelares (algo que o filme rapidamente esquece) e decidem vir ao nosso planeta, onde começam a alimentar-se numa casa rural, onde a família que lá vive começa rapidamente a correr risco de vida. Simples, directo, funcional, eficaz, sem problemas de maior além de uma ou outra ponta solta por explicar ou uma ou duas sub-tramas que foram esquecidas em meio a tudo o resto.
O elenco faz o seu trabalho de modo eficaz e sem grandes deméritos. A família do filme parece-nos bastante credível na sua maneira de agir e se relacionar, com um casal simpático, dois filhos adolescentes e brigas normais entre irmãos. O mais novo acaba por ter um protagonismo mais evidente, e é bastante bem interpretado por Scott Grimes. Billy Green Bush e Dee Wallace são apostas seguras e dão-nos um trabalho sólido. Nadine Van Der Velde é igualmente eficaz.
A nível técnico, o filme aposta bastante na criação de um alienígena que consiga ser engraçado e ameaçador ao mesmo tempo… o resultado não é mau, e nós quase conseguimos simpatizar com aquelas criaturas devoradoras. Não sei como fizeram, mas as criaturas parecem credíveis e autênticas o suficiente. Os efeitos visuais, especiais e de som utilizados são igualmente bons, na maioria do tempo: eu apenas não gostei dos futurismos excessivos na nave espacial, porque os efeitos usados parecem muito datados e baratos, mesmo tendo em conta a idade do filme.
Em 27 Nov 2021