Negação

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Lançamento: 30 Sep 2016 | Categoria: Filmes

Negação

Nome original: Denial

Idiomas: Inglês

Classificação:

Genero: Drama, História

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Produção: BBC Film, Participant, Krasnoff / Foster Entertainment, Shoebox Films

Sinopse

A luta legal da escritora Deborah E. Lipstadt (Rachel Weisz) para provar uma verdade histórica contra David Irving (Timothy Spall), que a acusa de difamação por declarar que ele não acredita na existência do Holocausto.

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Reviews

Autor: Filipe Manuel Neto

**Um bom filme que nos ajuda a entender mais sobre o trabalho de um historiador.** Adorei o filme, vi-o agora há pouco, e fiquei verdadeiramente impressionado quando, ao ler alguma coisa para preparar adequadamente este texto, descobri que o julgamento foi real e as personagens correspondem a pessoas verdadeiras. Como já tive oportunidade de ir referindo noutros textos que fui escrevendo, eu sou historiador, e por isso mesmo este filme é particularmente importante para mim, salientando muito bem a importância que nós, profissionais da História, podemos ter para a interpretação rigorosa do passado. O tema do filme é o processo que David Irving, um auto-proclamado historiador britânico, moveu contra a historiadora norte-americana de origem judaica Deborah Lipstadt após a mesma publicar um livro onde atacava incisivamente as teses suportadas por Irving, nas quais este procurava desculpabilizar Hitler de qualquer responsabilidade no Holocausto, chegando inclusivamente a afirmar que nenhum judeu havia sido morto em Auschwitz e que não havia câmaras de gás para matar pessoas neste ou noutros campos de extermínio. Uma coisa que o filme não esclarece é que este processo surgiu algum tempo depois de o autor britânico ter sofrido outro tipo de represálias por causa das suas ideias, como por exemplo ser considerado “persona non grata” em países como a Áustria, onde minorar ou negar o Holocausto é criminalmente punível. O filme também não faz menção ao facto de que Irving continuou a negar o Holocausto e a defender Hitler conforme ia podendo, e que ainda hoje, de modo mais discreto, permanece um activo defensor destas ideias. Após ver o filme, a maior conclusão que retiro é a importância de ser sério e neutro como historiador. Muitas pessoas confundem tudo, inclusive colegas historiadores, e tendem a transformar-se em “juízes do passado”, dizendo que isto foi bom e aquilo foi condenável. O verdadeiro historiador não deve julgar o passado à luz da mentalidade corrente, mas à luz do que era sentido, vivido e conhecido naquela época, seja qual for. O historiador não é um juiz, é um analista que permite que os factos falem por si mesmos. Irving, para mim, não é digno de se intitular historiador, mas também tenho dificuldade em aceitar a forma como Lipstadt se posicionou: ela tem razão e o Holocausto é inegável, mas ela cometeu o erro de se deixar levar pelo coração, enquanto judia, quando devia ser tão desapaixonada e neutra quanto os seus advogados. Eu, enquanto historiador, procuro evitar temas que mexem com as minhas emoções. Se eu não consigo ser frio e neutro perante um tema, o melhor que eu posso fazer é chamar um colega capaz disso para me ajudar no trabalho. Ser parcial não é a mesma coisa que ser desonesto, mas não deixa de ser um desserviço à História enquanto ciência. O filme não é memorável: a nível de valores de produção está totalmente dentro do padrão genérico para um filme bom, sem erros gritantes nem grandes notas artísticas. É apenas uma boa peça de entretenimento que cumpre o que promete e nos permite passar algum tempo ocioso com qualidade e de modo produtivo. Para o público internacional, o filme precisa de explicar um pouco o funcionamento da mecânica processual inglesa, mas não senti grandes dificuldades em entender como tudo se processou ali. O que fica deste filme é a sólida interpretação do elenco, carregado de grandes actores. Nenhum deles nos deixa má impressão. Timothy Spall é adequadamente desprezível e dá à sua personagem todos os tiques que precisamos para sentir asco dela; Rachel Weisz é convincentemente forte e emotiva no seu papel, dando-nos uma heroína romântica fora do seu tempo; Andrew Scott dá um apoio muito feliz e Alex Jennings cumpre o seu papel discretamente, mas de modo eficaz e sincero. O destaque vai inteiramente para Tom Wilkinson, numa actuação notável pontuada por uma seriedade e oratória cheias de dignidade.

Em 29 Dec 2024

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