Autor: Filipe Manuel Neto
**Uma sequela que honra o original, mas não o consegue igualar.**
Dos mesmos criadores de *Gru*, este filme é a primeira sequela da Illumination a ser feita fora dessa mesma franquia. E de facto era previsível que viesse a surgir dado que o primeiro filme *Pets* foi um assinalável sucesso.
O filme retoma as personagens que já conhecemos: desta vez, Max e Duke têm de se adaptar a um recém-chegado que é o pequeno filho da dona deles. Max custou muito a adaptar-se, mas acaba tão afeiçoado à criança que se torna super protector e sempre receoso por ele. Quando a família vai passar uma temporada no campo, Max tem a oportunidade de enfrentar os seus recém-adquiridos medos. Entretanto, a vida de Pompom como animal de estimação é perfeita, com o coelho a criar ilusões de super-herói graças às brincadeiras com a dona. As ilusões, porém, dão-lhe a chance de resgatar um jovem tigre branco que sofria abusos às mãos do domador de circo. Portanto, como se vê, o filme tem várias tramas que correm em paralelo e que se vão articulando, mas com predomínio da trama de Pompom e do tigre Hu. Creio que este foi o maior problema do filme, na medida em que relega duas personagens centrais do filme anterior (Max e Duke) para um plano altamente secundário, além de tornar o filme mais complicado de entender, principalmente para os mais jovens.
De resto, o filme traz poucas novidades de vulto. Uma coisa que foi corrigida foi o número de personagens a ter parte activa na trama. O filme anterior tinha uma multidão de personagens a agir em grupo. Aqui, Mel desaparece de todo e Pops, Sweet Pea e Buddy aparecem apenas em cameo. Cloe, Reginald e Gidget permanecem presentes, mas só como “equipa de apoio” das outras personagens. Nota-se bastante que os devaneios românticos de Gidget acerca de Max nunca chegaram a desenvolver-se. O tigre, Hu, foi muito bem desenhado e mais parece um gato muito grande, por ser tão dócil. A mudança mais drástica é Pompom, que se torna uma figura heróica quando era o grande vilão do filme anterior, onde apresentava até uma certa personalidade psicopata. A transformação, contudo, era fácil de prever para quem viu o fim do primeiro filme. De volta e em excelente forma estão, também, os actores de voz do primeiro filme, com excepção de Louis C.K., afastado após um escândalo sexual e substituído por Patton Oswalt. O filme regista, também, as adições de Tiffany Haddish e de Harrison Ford, no primeiro trabalho de voz deste actor. De novo, os diálogos e piadas continuam a ser bem imaginados mas a fazer sorrir mais do que rir.
Tecnicamente, é um filme onde era difícil exigir melhor. O CGI e a qualidade das animações é impecável, com os animais desenhados nos seus detalhes, magníficas cores e luz, movimento e acção nas horas certas e doses garantidas de fofura. O ritmo do filme é bom, e nunca senti que se arrastasse ou começasse a correr. A banda sonora continua a ser assinada por Alexandre Desplat, mas não me ficou tão no ouvido como a do primeiro filme, sendo parecida demais a muitas outras que circularam por aí.
Apesar de não ser tão bom ou tão bem feito como o primeiro, este filme é uma honrosa sequela que sabe estar à altura do material já existente e das expectativas do público.
Em 10 May 2020