Autor: Filipe Manuel Neto
**Mais um excelente filme de Hitchcock.**
Alfred Hitchcock é o mestre do ‘suspense’, e este filme é sem dúvida muito bom, apesar de ainda não o considerar, sequer, como um dos melhores do director. Não há verdadeiramente qualquer mistério neste filme, sabemos de tudo o que se passa, mas ainda assim ficamos para ver, porque as personagens foram tão bem construídas que nos importamos com o que vai acontecer.
Neste filme, dois estranhos começam a conversar durante uma longa viagem de comboio: um é Guy Haines, um tenista conceituado que atravessa um tumultuoso divórcio para se casar com outra mulher; o outro é Bruno Antony, um mimado aristocrata que mantém uma relação conflituosa com o pai, de quem depende financeiramente. É Bruno quem toma a decisão de, por isso, resolverem os seus problemas ajudando-se mutuamente: Guy mataria o pai de Bruno e este, por sua vez, assassinaria a esposa de Guy, na esperança de não serem apanhados.
O filme é bom, mas a trama carece de lógica e sentido. Bruno, especialmente, é uma personagem desprovida de qualquer coerência, pois tem atitudes que qualquer pessoa, mesmo uma pessoa pouco normal, decidiria não ter, como tentar convencer um desconhecido a matar o seu pai. É algo tão estranho e aparentemente louco que não possui verosimilhança.
O elenco assenta no desempenho elegante e bem conseguido de dois actores: Farley Granger e Robert Walker. Ambos são excelentes e, quando se juntam e partilham a tela, tornam-se ainda mais notáveis e grandioso, particularmente Walker, que parece tresloucado e verdadeiramente perigoso na sua personagem. Ruth Roman, Kasey Rogers e Patricia Hitchcock também fizeram um trabalho satisfatório.
Tecnicamente, é um filme impecável: a cinematografia elegante aproveita muito bem os efeitos de luz e sombra, e a filmagem é nítida e belissimamente enquadrada. Os efeitos são discretos e os cenários, e figurinos, são muito bons.
Em 01 Mar 2021