Autor: Filipe Manuel Neto
**Funciona muito bem e tem valor de entretenimento.**
Este é mais um bom filme de roubo, com uma história imaginativa, mas bem escrita e que nos oferece uma boa dose de entretenimento simples, descomprometido e funcional, que não maravilhará ninguém, mas também dificilmente representará uma desilusão. Dirigido por John McTiernan, o filme é um remake de outro, mais antigo e esquecido, e apresenta-nos uma história interessante sobre um bilionário da alta finança que tem por passatempo o roubo de obras de arte, em golpadas magistrais que ludibriam a polícia. Desta vez, no entanto, ele terá que enganar igualmente uma habilidosa investigadora de seguros que está convencida de que ele é culpado como o pecado.
Em geral, filmes de roubo como “Ocean’s 11” ou “The Maiden Heist” são tão bons quanto eficazes e criativos. Não é suposto que sejam filmes incríveis e marcantes, é suposto que simplesmente nos divirtam e entretenham agradavelmente durante noventa minutos. Este filme oferece-nos exactamente isso: uma história bizarra, mas apelativa, com um assalto bem imaginado e criativo e um romance que faz o mínimo para parecer credível. Além disso, o filme tem uma boa cinematografia, uma sensação de leveza agradável na tónica narrativa, bons cenários e figurinos, efeitos bem imaginados e um clímax realmente bem feito, que brinca com uma das obras de arte mais famosas de sempre, do pintor Magritte. Ah, e não podemos ignorar também a excelente banda sonora, com toques de sofisticação e classe emanadas das canções de músicos como a icónica Nina Simone.
O filme tem um núcleo de actores muito reduzido e não investe no desenvolvimento das personagens. Ainda assim, as personagens centrais da trama desenvolvem-se de maneira positiva e suficientemente lógica para ser bem-aceite. Denis Leary é o actor com menor sorte no material recebido, na medida em que tem verdadeiramente pouco para fazer e se limita a parecer chato e implicante. Rene Russo é uma senhora que ainda nos consegue fazer lembrar dos dias em que era uma mulher ‘sexy’, mas isso não justifica a excessiva e algo gratuita nudez a que a actriz foi sujeita! Isso é verdadeiramente algo que merecia ter sido cortado na sala de edição, pois não combina com a tónica discursiva do filme. Fora isso, a actriz faz um trabalho bem feito e, ainda que não construa qualquer química com Brosnan, é credível o bastante para acreditarmos na personagem. Brosnan acaba por ser, de facto, o actor que carrega o filme às costas graças a um charme e carisma que não parecem ter fim, e que o filme aproveita ao máximo para tornar a personagem em alguém que nós, público, achamos interessante e simpático. Ah… e vale a pena ignorar Faye Dunaway. Ela está simplesmente aqui por mérito de ter estado no filme original. Só isso.
Em 12 Oct 2025