Autor: Filipe Manuel Neto
**Williams no papel mais denso que eu já o vi fazer em cinema.**
Neste filme, Robin Williams deu vida a Sy, um empregado de uma grande loja que trabalha no departamento de revelação de fotografias. É um trabalhador aparentemente competente e bom no seu trabalho. Mas a verdade é que ele esconde um fascínio maníaco por uma família que ele costuma atender, os Yorkin. Quando ele percebe que a unidade e alegria deles correm risco de desaparecer, decide agir e proteger a família.
O filme não é fácil de digerir. Para começar, o ritmo é propositadamente lento, de modo a construir as personagens e o enredo de maneira mais adequada e perceptível. Depois, há o problema de a personagem principal ser disfuncional e difícil de gostar. Inicialmente, ele age como um maníaco, com uma obsessão por aquela família, à qual parece desejar pertencer. Não sabemos se é inveja, se é adoração, se é uma mania. Mesmo assim, há alguma coisa de racional no modo como ele se comporta, como vimos a verificar nas explicações que dá à polícia no final. Outro problema, especialmente para o público comercial, são os toques intelectuais que o filme assume regularmente, em monólogos ou em detalhes discretos, que muitas pessoas podem achar aborrecidos ou dispensáveis. Eu confesso, gostei disso.
Pouco podemos dizer sobre a performance de Williams. Ele é brilhante. Nunca pensei ver este actor, tão ligado à comédia e a personagens de humor, a dar vida a uma personagem tão densa e complexa, com toques de vilão, de stalker e de vingador associados à doçura de um homem solitário, carente e infeliz. O elenco restante também esteve bem, mas não sobressai e deixa espaço para Williams brilhar como merece.
Tecnicamente, estamos perante um filme competente, mas discreto. Uma boa cinematografia, boa luz e cor, bons ângulos de câmera e uma banda sonora discreta, mas capaz. Destacaria os monólogos, onde o filme mostra alguma arte.
Em 08 Jul 2018