Autor: Filipe Manuel Neto
**Tiros, explosões, correria, mais explosões, Mel Gibson e krugerrands.**
Gostei bastante do filme inicial da franquia e fiquei bastante curioso para ver o restante. Por isso, tinha algumas expectativas em relação a este filme, como é natural e compreensível. Mas o que encontrei é tão mais fraco que não podia deixar de me sentir desiludido. Mesmo assim, o filme foi um grande sucesso e representou um enorme encaixe financeiro para todos os que se envolveram, do estúdio aos actores. Missão cumprida!
O problema começa onde quase todos os problemas começam em cinema: no roteiro, escrito de maneira absolutamente fantasista e absurda. Novamente, veremos Murtaugh e Riggs numa nova investigação, desta vez apostada em eliminar um grupo de crime organizado que, por mais estranho que seja, está fortemente associada à África do Sul, país ostracizado e mal visto nesta época devido ao ‘apartheid’ que vigorava no país. Em meio a tudo isto, e sem que isso sequer seja compreendido de imediato pelo público, os detectives são retirados deste caso e vão fazer de ‘babysitter’ de uma testemunha importante. Compreendido? Não? De facto, custa a entender.
Além de um roteiro confuso e assente sobre uma premissa absurda (de que a polícia não pode agir contra alguém protegido por imunidade diplomática… pode, mas isso requer contacto com o país do diplomata e o Governo, a fim de a imunidade ser suspensa), o filme sacrifica totalmente o roteiro em detrimento de toneladas de acção inacreditável e cheia de explosões, tiros e rastos de destruição. A cena de abertura é bastante clara sobre o que vamos encontrar, e o clímax do filme inclui a destruição de uma casa inteira por um único homem. O filme é divertido, entretém o público, dá-lhe muita acção… mas não faz grande sentido.
Novamente, Mel Gibson e Danny Glover mostraram estar à altura das personagens que tiveram e brindam-nos com um desempenho feliz. É melhor que o primeiro filme? Não, senti que os dois actores estavam mais preguiçosos aqui, mas a verdade é que isso só se consegue sentir de vez em quando. Joss Ackland foi um vilão mais irritante do que propriamente ameaçador, mas dá à franquia o primeiro vilão digno de nota. Joe Pesci, infelizmente, ficou com a penosa e dura tarefa de dar vida ao idiota do filme, e a performance dele ressentiu-se com isso.
Tecnicamente, é um filme onde a aposta volta a ir, completamente, para os efeitos especiais, visuais e de som. O filme está completamente lotado de cenas de acção, cada uma mais ruidosa e espectacular que a anterior, com explosões, tiros, destruição e duplos de acção a fazerem um trabalho verdadeiramente bem feito e digno de louvor. A cinematografia é regular, está dentro do que podíamos esperar de um filme dos anos Noventa, e os cenários e figurinos cumprem o seu papel com dignidade. A banda sonora não merece nenhuma menção.
Em 15 Sep 2021