Autor: Filipe Manuel Neto
**No geral, é um bom filme sobre o arranque da corrida espacial.**
A corrida espacial foi um dos aspectos que marcou a rivalidade intensa entre os EUA e a União Soviética durante a Guerra Fria. Havia a noção de que o espaço poderia ser um campo de batalha ou uma zona de influência, como décadas antes haviam sido os territórios coloniais, e que a ameaça nuclear tornava urgente dominar o espaço. Foi para isso que nasceu o Programa Mercury, o responsável pelos primeiros voos suborbitais e orbitais realizados pelos EUA.
Dirigido por Philip Kaufman, o filme é muito bom e está muito bem feito, ainda que, por vezes, se assemelhe a um anúncio publicitário caro à NASA e ao que foi feito pelos norte-americanos na corrida espacial. É um filme longo, com três horas, mas isso justifica-se por abarcar um largo período de tempo e dar-nos uma visão muito global das missões Mercury. Isso leva-me a outro problema: é preciso conhecer minimamente o programa e quem fez parte dele para se conseguir entender tudo o que o filme mostra, porque não há muitas explicações e o filme presume que o público sabe o que está a ver.
O elenco é, talvez, um dos aspectos mais importantes do filme, posto que assenta largamente no desenvolvimento das personagens e na forma como cada actor trabalhou e desenvolveu a sua personagem. E não há dúvida de que temos aqui um amplo leque de talentosos artistas onde Sam Shepard, Fred Ward, Ed Harris e Dennis Quaid dominam a tela e captam toda a nossa atenção. Não há como destacar apenas um ou dois, penso que cada um deles fez o melhor que podia com o que tinha em mãos e o director Kaufman aproveitou o melhor de todos eles.
É um filme bastante ligeiro, não é um drama denso, cheio de aspectos técnicos ou ideias complicadas. O filme até consegue dar-nos a noção da gestão política e financeira do projecto, e do aproveitamento que os políticos americanos foram fazendo daquilo para fins eleitoralistas. Há algum espaço para o humor, mas não é um filme que nos faça rir à gargalhada. A situação mais cómica para mim foi a forma como um vice-presidente americano foi barrado à porta da casa de um astronauta pela sua esposa. Os diálogos são bons, são bem escritos, e os efeitos visuais e especiais utilizados são convincentes. Este filme tem, ainda, uma boa cinematografia e uma banda sonora muito atmosférica.
Em 20 Jul 2023