Autor: Jardel
Não sou contra os remakes de clássicos, mas este aqui foi um erro completo, desde a falta de sintonia evidente entre autoria e direção até na construção do enredo. Alessandro Marson e Thereza Falcão tiveram um sério problema de desenvolvimento em múltiplas histórias e deixaram a desejar em vários plots com muito potencial, enquanto que a direção de Amora Mautner não só não soube contornar isso como arruinou o desempenho de muitos atores, principalmente os novatos, jogados aos leões em certas cenas chave. Uma tragédia que só conseguiu ser contornada quando amenizaram o humor e potencializaram o drama que a faixa das 6 pede sob livre e espontânea pressão da baixa audiência que a novela rapidamente apresentou em seus primeiros capítulos. Não que ser muito engraçada fosse um problema, até porque o horário das 6 também apresentou muitas comédias bem sucedidas, mas era um combo que o público dessa faixa não estava acostumado e, sem uma boa condução para amenizar os comentários negativos, a insatisfação foi geral. A visão final que _Elas por Elas_ vai deixar não é tão decepcionante, pois era visível que uma novela como essa seria uma quebra total e que o plot principal não iria render tanto, mas é um baita declínio para quem já entregou uma novela dinâmica e bem feita como foi _Novo Mundo_ (2017).
O que deu pra tirar de bom da novela: a dupla Deborah Secco (mesmo interpretando um tipo bastante comum na carreira ainda se sobressaiu) e Lázaro Ramos (que conseguiu fazer a sua própria versão do Mário Fofoca sem desprender do tipo que o Luis Gustavo imprimiu ao personagem, uma ótima reverência), Isabel Teixeira (conseguiu domar os erros da novela só com o talento) e Marcos Caruso de vilão. Em menor escala, Rayssa Bratillieri e Filipe Bragança, que fizeram o casal mais meloso de forma forçada um bocado de tempo, mas que merecem alguns créditos porque são bastante talentosos, e o bom desempenho de alguns coadjuvantes (Castorine maravilhosa, Diego Cruz outro que curti muito, Richard Abelha um talento que merece ser trabalhado, Mariah da Penha e Cosme dos Santos ótimos como casal, Valentina Herszage até certo ponto ótima).
Pontos negativos: Muitos problemas da novela foram provocados por má condução do enredo ou da direção, não necessariamente foram provocados pelos atores. No entanto, preciso destacar a decepção com a abordagem do plot da Maria Clara Spinelli, a primeira protagonista transsexual das novelas, mas que não fez muita diferença na trama e para o movimento a não ser pra ser ofendida em três cenas específicas, incluindo duas envolvendo as próprias amigas. Eu gostaria muito que ela tivesse ganhado algo a mais, mas a própria atriz não contribuiu muito pra passar do que foi mostrado na trama. Uma pena.
Em 12 Apr 2024