Autor: Filipe Manuel Neto
**Desinteressante e cansativo.**
Tenho visto os vários filmes da franquia *Pesadelo em Elm Street*, e constatado que me tem agradado mais do que a maioria dos filmes "slasher" da mesma altura (*Halloween*, *Sexta-Feira 13*, etc.). Porém, a qualidade da franquia decaiu visivelmente com o avançar do tempo e dos filmes que foram saindo.
O roteiro deste filme dá seguimento à história do seu predecessor, mas a forma como a história foi desenvolvida carece de tensão, ‘suspense’ e mesmo de lógica, com as personagens a agirem de modo, aparentemente, aleatório e irreflectido. O filme não tem um conteúdo desenvolvido ou apelativo e isso reflecte-se no nosso interesse: eu, pelo menos, sinto que me desinteressei da história na primeira meia hora, e simplesmente fui vendo o restante sem me sentir envolvido ou interessado no que via.
O elenco conta, como não podia deixar de ser, com o grande Robert Englund, no papel a que já se acostumou e que sabia representar maravilhosamente. Não é por mero acaso que ele nunca foi substituído no papel de Krueger. Todavia, senti que o actor era bom demais para o filme que é, e que os diálogos não lhe faziam justiça. Os actores mais jovens fazem o que podem, mas não conseguem ombrear com ele, e têm personagens muito simples e desinteressantes. Lisa Wilcox, que já fez o filme anterior, é a actriz mais capaz, mas limita-se a fazer um trabalho mediano.
O director, Stephen Hopkins, brinda-nos com um trabalho desinspirado e entediante, onde a sua aposta principal é na criação de um estilo visual que torne o filme mais atractivo. O problema é que não há conteúdo que o justifique. Gostei dos cenários algo imaginativos, e algumas cenas até parecem inspiradas no expressionismo alemão, mas a cinematografia cheia de contraste e de cores intensas não ajudou e tirou beleza ao visual pouco ortodoxo destas cenas. O trabalho de edição também me pareceu amador, para dizer o mínimo. A banda sonora escapa um pouco a estes problemas: não sendo particularmente memorável, funciona de modo satisfatório.
Em 30 Apr 2021