Autor: Filipe Manuel Neto
**É um filme engraçado, mas confuso como uma montanha-russa.**
Já vi alguns filmes de Mel Brooks e a maior conclusão que posso tirar é a de que foi uma pessoa incrível e um cineasta inconstante, que nos brindou com filmes notáveis e também com outros de menor qualidade. Este é um dos que poderíamos colocar a meio da tabela, entre os melhores e os piores: tem muito humor, uma dose elevada de sátira politicamente incorrecta, muita vontade de criticar coisas erradas (por exemplo, o racismo e o nazismo), mas também nos deixa um travo adolescente, com muitos momentos de humor sexual ou escatológico que só agradam a adolescentes idiotas.
Brooks dirige, faz uma das personagens e ainda tem tempo para assegurar o argumento escrito. Se tivesse tido mais alguns minutos de sobra, penso que teria ficado atrás de uma das câmaras ou composto parte da banda sonora! Ele respira e vive aquilo que faz, com amor e devoção, mas isso não significa que seja boa ideia fazer tudo sozinho, ainda que se desembarace com brio. É melhor director e argumentista que actor, e isso fica evidente aqui. De facto, no que diz respeito ao elenco, apenas Gene Wilder e Cleavon Little saem com nota positiva… e com direito a aplausos, especialmente Wilder, sempre impecável a contracenar com os seus colegas e a tirar o melhor de cada um deles. A trama não é original nem particularmente interessante, funciona como pretexto para as cenas de comédia que vão acontecendo. Há momentos bons, outros esquecíveis, e tudo o que diz respeito aos valores de produção, ainda que bom, é confuso devido ao enredo do filme também ser confuso como uma montanha-russa. Ainda assim, é engraçado.
Em 15 Mar 2025