Autor: Filipe Manuel Neto
**Não fica muito atrás dos filmes que o precederam, mas o enredo é escasso e exagerado.**
Mais um filme da franquia *Pantera Cor-de-Rosa* e novamente sinto que nada de novo foi acrescentado ao que já vimos. Numa franquia que tem sido pautada por altos e baixos, e por uma inconstância que não augura nada de particularmente bom, o filme satisfaz, mesmo assim: não é excelente, nem chega perto disso, mas também não é mau.
O maior problema do filme acaba por ser o enredo, escasso, excessivo e muito exagerado. Senti, em mais de uma ocasião, que o filme estica o enredo ao máximo, por falta de conteúdo. Tudo gira em torno de um enlouquecido ex-inspector Dreyfus, que aqui é transformado numa espécie de super vilão. Após criar uma espécie de “Spectre” (quem está familiarizado com o universo de James Bond vai entender melhor a minha comparação), ele fabrica uma arma de destruição maciça e ameaça todo o mundo, exigindo a cabeça de Clouseau. É exagerado o suficiente?
Peter Sellers faz o que pode com o que recebe para trabalhar, mas não pude deixar de sentir que a personagem dele é quase uma caricatura do que já vimos anteriormente, e que o actor é subestimado e pouco aproveitado. Ainda mais caricatural e estranho, Herbert Lom merece, no entanto, um louvor pela forma como aproveitou a loucura e exagero da personagem, tornando-a em algo verdadeiramente engraçado.
Tecnicamente, o filme consegue ombrear com os antecessores no respeitante à cinematografia, cenários e figurinos, dando-nos exactamente aquilo que estávamos à espera de encontrar. Não há grandes efeitos, mas o que foi utilizado tem qualidade e faz o seu papel. A música não fica atrás e satisfaz-nos sem, todavia, sobressair.
Em 22 May 2022