Autor: Pedro Quintão
Pillion aborda uma relação entre dois homens dentro de uma dinâmica de dominação e submissão. É importante dizer isto desde já: a minha opinião é apenas isso, a minha opinião. Não julgo quem vive esse tipo de relação, cada pessoa é livre de fazer o que quiser com o seu corpo e a sua vida. Mas, pessoalmente, é algo com o qual não me identifico minimamente e que nunca faria parte da minha vida.
O filme mergulha precisamente nesse tipo de relação, acompanhando um jovem que se envolve com um homem dominante. Aquilo que começa como um encontro casual rapidamente evolui para algo muito mais controlador e, na minha perspetiva, claramente tóxico, pois aquele estilo de relação passa a invadir todos os aspetos da vida das personagens. No elenco temos Harry Melling (o primp Dudley de Harry Potter) num registo diferente do habitual, e Alexander Skarsgård a assumir o papel dominante com presença.
Durante o desenvolvimento de Pillion, há uma obsessão constante com os papéis de dominância e submissão, mesmo em situações do dia a dia onde isso, para mim, não faz qualquer sentido, pois somos confrontados com uma relação onde não há liberdade e, acima de tudo, falta espaço para diálogo. Um relacionamento deve permitir que ambas as pessoas sejam livres, que possam comunicar, crescer e existir fora de um papel rígido.
Existem momentos em que o protagonista é tratado quase como um objeto e até mesmo como um animal, e isso tornou a experiência ainda mais difícil de digerir, fazendo com que o filme funcione quase como um "anti romance". Inicialmente pensamos que vamos assistir a uma história de amor, mas rapidamente percebemos que o filme está mais interessado em mostrar o lado mais pesado e limitador deste tipo de dinâmica.
Pillion funciona como uma observação desse submundo, levantando curiosidade sobre este tipo relações. Mas, no geral, falta-lhe impacto. Nunca há um momento verdadeiramente marcante, daqueles que nos ficam na cabeça. É um filme mais observacional do que emocional. Vê-se bem, tem interesse, mas esquecerei facilmente dele.
No fim, fiquei com uma sensação clara: é um filme que mostra uma realidade que não quero para mim. Defendo que cada pessoa deve fazer o que quiser na sua vida íntima, desde que haja consentimento e seja legal. Mas outra coisa completamente diferente é transportar os seus fetiches ou comportamentos sexuais para a vida social e pessoal ao ponto de viver condicionado por esses papéis. E é isso que sinto que acontece em Pilion: personagens que acabam por viver de forma limitada só para manter esse jogo constante de dominância e submissão. Não é um mau filme, mas também não o achei marcante. É interessante, mas rapidamente se torna esquecível.
Em 29 Mar 2026