Autor: Filipe Manuel Neto
**Um filme mediano, que nunca assusta e tem uma história cheia de buracos, mas ainda é capaz de entreter o público.**
Este filme aproveita o mundo do ventriloquismo para fazer terror. Não é uma ideia totalmente nova, mas funcionou bastante bem, se quisermos acreditar que uma ventríloqua famosa foi de facto o motivo pelo qual uma cidade viveu a sua época áurea, como o filme acaba por sugerir.
O roteiro começa com a morte misteriosa de uma mulher logo após receber na sua casa uma caixa, sem remetente, contendo um antigo boneco de ventríloquo. A braços com a polícia, que o encara como um suspeito, o marido dela volta para casa do pai, numa cidade onde existe uma velha lenda sobre bonecos de ventríloquo, na qual eles são verdadeiramente maléficos. Não é uma história complicada e tem muitas falhas de lógica e situações inacreditáveis, mas funciona decentemente se não nos pusermos a pensar demasiado acerca dela.
O elenco é liderado por Ryan Kwanten, e ele é suficientemente bom para o trabalho que tem pela frente. Donnie Wahlberg também dá um contributo muito bom para o filme, embora a sua personagem pareça realmente idiota. Bob Gunton e Laura Regan ajudaram bastante naquilo que era possível, mas havia pouco para eles fazerem aqui. Judith Roberts foi bastante boa no papel dela, mas não era o filme certo para ela brilhar.
Dirigido por James Wan, director com predicados bastante sólidos no género horror, o filme não falha em construir uma tensão agradável e joga bastante bem com o mistério. Apesar disso, não é suficientemente assustador e muitos dos sustos são previsíveis ou mesmo rudimentares. Uma cinematografia elegante, sombria nos momentos certos, e bons efeitos visuais e sonoros foram elementos importantes na construção da tensão dramática.
Em 03 Apr 2021