A Morte Inevitável
Nome original: The Big SleepIdiomas: Inglês
Classificação: Genero: Crime, Mistério
Poster: Ver poster
Produção: ITC Entertainment, Winkast Film Productions
Sinopse
Vídeos
Vídeo não disponível
Poster: Ver poster
Produção: ITC Entertainment, Winkast Film Productions
Vídeo não disponível
**Um remake que não venceu nem convenceu.** Quando eu vi o filme original, com Bogart e Bacall, de 1946, fiquei muito satisfeito com as qualidades técnicas e artísticas, e também com a excelente actuação de um elenco de luxo, mas francamente triste com o roteiro. Achei aquela história toda muito rebuscada e confusa, e pensei que teria sido mais divertido de ver se o roteiro nos trouxesse algo mais simples, límpido e fácil de acompanhar, mantendo a dose de mistério. Este filme não mais é do que um remake feito trinta anos mais tarde, e como tal é muito difícil resistir a tecer comparações. Vou tentar resistir o quanto puder e analisar este filme pelo seu valor. Para esta produção, o director Michael Winner chamou um elenco forte, encabeçado por Robert Mitchum, um actor já veterano que, porém, não me pareceu inadequado para esta personagem que, no material escrito original, tem metade da sua idade. Philip Marlowe é um detective particular experiente, sisudo, matreiro e que tem amplos conhecimentos do meio criminal e entre as autoridades, e se considerarmos todas estas características, parece sensato chamar um actor de meia-idade com charme e ares de galã. Também gostei muito do trabalho de James Stewart. Fiquei surpreendido com o aspecto frágil e envelhecido do actor, e ainda mais surpreendido ao constatar que viveu por mais vinte anos após o filme ter sido feito. Ele era o homem certo para este trabalho e dá provas de tenacidade e amor à sua arte. Candy Clark é tão travessa e sedutora quanto pode, tornando a sua personagem numa verdadeira ninfeta. Isto pareceu um pouco exagerado aos meus olhos, mas tendo em conta que eram os anos 70 e o sexo vendia como pão quente, faz algum sentido. Sara Miles é uma adição francamente positiva, enquanto Oliver Reed me pareceu mais neutro e apagado. Richard Boone faz apenas o que tem de fazer, mas o que faz está bem feito. A nível técnico, tenho algumas objecções a fazer: se isto é uma espécie de neo-noir, não me parece nada descabido que usem uma cinematografia a cores ao invés do tradicional preto-e-branco, mas parece-me que a segunda opção seria mais favorável à construção da tensão dramática e do ‘suspense’. Isto torna-se ainda mais legítimo se considerarmos que a cor é bastante desmaiada e a luminosidade não é bonita, talvez devido à escolha da lente ou de um determinado tipo de película fílmica. Gosto bastante dos locais de filmagem e a transferência da acção para o Reino Unido permite que se utilizem as grandes mansões aristocráticas do país, assim como boas filmagens de rua em bairros pacatos de Londres e outras cidades. A mudança de país tem, contudo, mais contras do que prós: boa parte da história perde verosimilhança fora dos EUA, onde a circulação de armas é mais liberal e a criminalidade é diferente. As cenas de acção também parecem fora do lugar aqui, e é talvez por causa disso que parecem tão tristes e sonolentas. Também não gostei das cenas de nudez, embora o enredo envolvesse venda ilegal de material pornográfico, algo muito ao gosto da época em que o filme foi feito. Acerca do roteiro, sinceramente, não há muito o que dizer. A história é essencialmente a mesma que vimos no filme mais antigo, com algumas variações e ‘nuances’ mais discretas. Continua a ser um enredo complicado de acompanhar e onde muita coisa acontece numa margem de tempo relativamente pequena, onde muito se diz em pouco tempo e envolve personagens e reviravoltas a mais, na minha opinião. Eles podiam ter aproveitado o filme para apresentar uma versão mais lisa da história original, mas decidiram não o fazer.
Em 11 Apr 2024