Autor: Filipe Manuel Neto
**Um bom Denzel, um Travolta aceitável, alguma acção e um roteiro medíocre.**
Foi com poucas expectativas que vi este filme, pois já adivinhava que, sendo um filme de acção pura, não seria particularmente notável. Não sabia que era um remake de um filme mais antigo, nem me dei ao trabalho de ver esse filme pois nem sequer o encontro.
O filme fala, basicamente, de uma situação com reféns dentro de uma carruagem de metropolitano de Nova Iorque. Nada de original, já vimos coisas melhores noutros filmes. Há mortos, há vítimas inocentes, há boas doses de acção para quem a procurar, mas não há um enredo firme por detrás. O que temos são premissas básicas que levam à situação que está a acontecer. Há duas personagens que se destacam (o líder dos sequestradores, cínico e cruel, e o inocente técnico de tráfego do metro com quem ele insiste em negociar) e que dominam o filme, e tudo o resto resume-se à acção, a uma tentativa de tensão permanente onde as vidas de todos estão em jogo. Porém, a tensão é tão artificial que eu nunca a senti verdadeiramente pois já se adivinhava que todos, ou quase todos, se iriam salvar no final.
Denzel Washington e John Travolta dão vida às personagens centrais do filme e a relação entre ambos é verdadeiramente forte e consegue manter o público interessado no que se passa. Prova disso são os diálogos cuidados e interessantes entre ambas as personagens. Travolta, mesmo assim, é um actor que não se esforça muito, deixando o trabalho pesado para Denzel. Os restantes actores vão fazendo o que podem, mas o material que lhes é dado é reduzido e mau. James Gandolfini, John Turturro e outros são fortemente afectados e duvido que tenham boas memórias deste filme.
Tecnicamente, o filme é regular, para não dizer bastante medíocre. Deste panorama negativo ressalvam-se, todavia, uma banda sonora bastante decente e capaz de ir contra o que esperamos num filme de acção, e uma cinematografia interessante, com boa luz e sombra, as cores esbatidas em detrimento de um maior movimento de câmara. Efeitos que teriam acentuado a sensação de desconforto do público... se este já não tivesse adormecido com o roteiro aborrecido, previsível e vagaroso que é apresentado.
Em 02 Sep 2019