Autor: Filipe Manuel Neto
**Entretém e é visualmente grandioso, mas muito insípido.**
Este é mais um remake de um filme antigo que, por algum motivo, caiu no esquecimento. Nunca vi o original, por isso não sou a melhor pessoa para os comparar.
O filme conta com o mito grego de Perseu. O elenco é liderado por Sam Worthington, que fez um trabalho satisfatório nas cenas de acção mas foi incapaz de dar alguma profundidade psicológica à personagem. Liam Neeson interpretou Zeus de modo decente mas Ralph Fiennes, que deu vida ao vilão Hades, fê-lo de uma forma que deixa claro que ele estava desconfortável com a sua personagem. Na verdade, eu estava a ver alguma parecença entre Hades e Voldemort, mas isso pode ser perdoado se virmos o mau desempenho de Gemma Arterton, incapaz de mover um músculo do rosto. A personagem dela parece uma boneca morta.
Eu acho que os actores não têm culpa. A culpa é de Louis Leterrier, que decidiu fazer um filme que é visualmente incrível mas não tem emoção, sentimento ou profundidade. Quando os cineastas finalmente entenderão que um monte de CGI não basta para um bom filme? Seja como for, aqui os argumentistas também falharam, pois o roteiro é muito vazio, desprovido de brilho e insípido. Nada que seja insípido sabe bem. É preciso sal, tempero, e isso é feito, pelo menos nos filmes, com emoção e profundidade.
Este filme pode até entreter, ele consegue fazer isso. Mas tudo podia ter sido ainda melhor se o director e os argumentistas tivessem trabalhado mais arduamente.
Em 24 Aug 2018