Autor: Filipe Manuel Neto
**Entretenimento de qualidade num filme que, quase, nos faz esquecer que é um remake.**
Neste filme, que é um remake do famoso filme de Alfred Hitchcock "Disque M para assassínio", assistimos à forma calculista, fria e dura com que um empresário nova-iorquino tenta levar o amante da esposa a matá-la, a fim de ficar com o dinheiro dela. Sendo um remake, há semelhanças evidentes entre ambos os filmes, mas não é uma cópia. Há coisas novas e diferentes neste filme, e a forma como tudo é abordado é, no mínimo, credível.
O seu realizador, Andrew Davis, fez um trabalho mediano. O elenco é liderado por Michael Douglas, no papel do frio e duro Steven Taylor, um milionário da alta finança. O actor é bom em papéis racionais e que exijam uma postura calma, e Douglas não nos desilude, dando-nos aqui uma excelente performance. O mesmo se pode dizer de Gwynneth Paltrow, que interpretou a esposa de Steven, Emily Taylor. Ela é a típica esposa-objecto, que o marido vai exibir em festas de sociedade, tratando-a friamente na intimidade, e que vem a arranjar um amante, personagem habilmente interpretada por Viggo Mortenson. David Suchet, que fez um estrondoso sucesso no papel de Poirot, volta a encarnar um polícia, dando vida ao inspector que está encarregado do caso. Todo o elenco fez um bom trabalho, mas eu destaco, claramente, as excelentes interpretações de Douglas e Paltrow.
Em resumo, é um filme de qualidade que, por vezes, nos consegue fazer esquecer o facto de ser um remake e ser plenamente aceite por nós. Sem qualquer detalhe técnico digno de nota ou intepretações fenomenais da parte do elenco, é um filme que vale pela história que conta e pelo entretenimento, de qualidade, que nos traz.
Em 08 Nov 2019