Autor: Filipe Manuel Neto
**Entre altos e baixos, consegue ombrear com o seu predecessor.**
Eu nunca fui, e provavelmente nunca serei, um apreciador desta franquia de cinema, mas confesso que fiquei bem impressionado com o primeiro filme, razão que me moveu a ver este também. É um estilo de terror que tem pouco a haver comigo e com os meus gostos, aprecio mais um terror psicológico, com menos “gore”… mas reconheço que o primeiro filme soube equilibrar muito bem a tensão psicológica e ‘suspense’ com algumas cenas de grande impacto visual. Este filme, simplesmente, tenta fazer o mesmo, mas maior e com mais pessoas e um orçamento mais chorudo. E consegue pela maior parte do tempo.
Desta vez, o director-argumentista é Darren Lynn Bousman, um absoluto novato, e uma aposta arriscada por parte dos produtores, justificada pela escrita prévia de uma ideia que parecia possível adaptar: com a ajuda de Leigh Whannell, Bousman transformou as suas ideias num roteiro bem desenvolvido, que honra o já estava feito e mantinha a coerência narrativa entre os dois filmes. Infelizmente, o roteiro apresenta também imensas falhas de lógica e diálogos tão fracos que podiam ser estudados, como mau exemplo, nas escolas de cinema. O final é mau: surge repentinamente e é tão insatisfatório quanto um orgasmo precoce.
O aspecto mais refinado do filme é, assim, a maneira como constrói tensão e trabalha o ‘suspense’ dramático, de reviravolta em reviravolta. Algumas funcionam melhor do que outras, há uma dose excessiva de previsibilidade em certos momentos, mas, na maioria do tempo, o filme consegue esconder o seu jogo e surpreender. A edição também é muito melhor e mais profissional, a filmagem parece mais pensada e menos instintiva, os efeitos visuais e sonoros são tão bons quanto no primeiro filme e a banda sonora cumpre bem o seu papel. Os desafios criados para o filme são verdadeiramente dignos de uma mente tão distorcida quanto a de um inquisidor medieval de pantomina, e as mortes são cruéis, para dizer o mínimo.
Quanto aos actores, um louvor especial para Tobin Bell, que regressa a este filme para o papel de Jigsaw, merecendo agora uma atenção especial, com muito mais tempo e espaço para nos mostrar talento. Ele conseguiu criar um dos melhores psico/sociopatas que já vi no cinema, um retrato magnífico de uma mente transtornada e incapaz de qualquer laço de empatia, empenhada no planeamento de cada armadilha com a dedicação total de quem defende valores e visões morais totalmente distorcidas. Donnie Wahlberg também faz um bom trabalho aqui, e dá-nos uma personagem credível. O restante elenco cumpre com o seu trabalho em personagens de papelão que estão ali para morrer. Franky G. é quem fica pior, graças a uma interpretação histriónica e estereotipada de um traficante latino.
Em 29 Jul 2025