Autor: Victor Carvalho
Este filme Australiano produzido em stop-motion conta a história de uma garota que mora na Austrália e não tem amigos, só uma mãe doida e bêbada que a proíbe de fazer tudo que ela gosta. Um dia ela pega uma lista telefônica e manda uma carta para uma pessoa aleatória. No caso foi um homem de meia idade de Nova Iorque. A partir o filme foca na troca de cartas entre esses dois personagens. O Mais legal do filme é como ele apresenta os dois protagonistas, que são a Mary e Max e seus dois mundos que são completamente diferentes. Outro ponto forte é como os personagens comunicam entre si e o conteúdo das cartas. Filme muito indicado para quem gosta de psicologia e de animações em stop-motion. Nota:10
Em 13 Mar 2017
Autor: Renato
"A vida de todo mundo é como calçadas muito longas. Algumas são bem pavimentadas, outras são como a minha, tem rachaduras, cascas de banana e guimbas de cigarro. Espero que um dia nossas calçadas se encontrem."
É um filme sobre uma amizade um tanto diferente e com várias situações peculiares. E sempre intercalando momentos cômicos e trágicos na vida de ambos protagonistas, que são uma australiana (Mary Daisy Dinkle) bem inocente de 8 anos e um americano nascido judeu que se tornou ateu (Max Jerry Horowitz), de 44 anos, morador de Nova Iorque. Ambos são solitários (e entre outros problemas...) e basicamente não tem amigos. E por estar cansada de viver sozinha, Mary teve a idéia de pegar um nome aleatório em uma lista telefônica de Nova Iorque pra contar sobre seus problemas, que ela conhece Max. E assim trocam correspondências durante anos e todas as conversas são bem humoradas e lindas. Através desse compartilhamento, eles acabam tendo uma maior compreensão um do outro e também da vida.
Eu não sou um grande entendedor de aspectos técnicos, mas vale ressaltar que é uma animação bastante ousada visualmente. Existe tanta produção aí com 3D e efeitos visuais que não conseguem construir algo muito significativo, mas que essa animação com uma estética de personagens e cenários de argila conseguiu.
Essa animação não é infantil, embora eu acredite que dê para crianças assistirem tranquilamente, apesar de que não iriam saber fazer uma leitura completa como um adulto faria. "Mary e Max" aborda temas delicados e fortes (sexo, pedofilia, depressão, ansiedade, negligência, suicídio, morte, assassinato, prisão, isolamento, fobia social, alcoolismo, furto, bullying, adultério, prostituição, religião, obesidade, deficiência física, autismo [Síndrome de Asperger], entre outros), mas sem aquela "camuflagem" característica que tem em animação. Porém, ela consegue equilibrar as coisas e não deixar animação "obscura", até porque a mensagem é completamente o oposto.
É uma animação que merece ser vista por todos. Não conheço ninguém que não tenha gostado, pois é um filme que dá pra sentir que foi feito com bastante carinho e com uma sensibilidade incrível.
Um filme de animação simples, mas profundamente complexo e tocante, que vai muito mais além do que apenas uma animação.
E o final, apesar de triste, é muito bonito. Nota 10!
Em 07 Sep 2018