Autor: Filipe Manuel Neto
**Bom suspense, um bom Sam Neill, um tema interessante por detrás da história, mas nada mais.**
Neste filme, um grande escritor de histórias de terror desapareceu sem entregar a cópia completa do seu mais recente livro. Os fãs estão a enlouquecer, há motins nas livrarias, a editora está a ficar preocupada. Parece uma coisa de loucos, num mundo como o nosso, onde as pessoas são capazes de ficar loucas na Black Friday mas não se importam minimamente com a leitura. É neste contexto que a editora contrata John Trent, um detective privado, para encontrar o escritor desaparecido. Claro que as coisas correm mal e o fim do filme é verdadeiramente apocalíptico.
O filme aborda, no fundo, um tema notável: de que forma pode um escritor, quando é apoiado pelas grandes corporações editoriais cheias de dinheiro para investir, afectar a mente e a imaginação do público leitor? Apesar de hoje a leitura ser algo que caiu em desuso para muitas pessoas, ainda há uma larga franja de leitores ávidos por uma boa história. O péssimismo que emana no filme também pode reflectir, em boa parte, as preocupações que temos para com o futuro do mundo que nos rodeia, que está cheio de problemas a que não conseguimos dar solução porque há sempre alguém que não tem interesse nisso porque está a lucrar em cima do problema (questões ambientais, humanitárias e outras).
O filme conta com a excelente participação de Sam Neill, que está perfeito para a personagem que interpreta. Além da sua interpretação, e das doses agradáveis de suspense e de mistério, este filme tem pouco a oferecer e está bem longe de ser o melhor que Carpenter já deu ao seu público.
Em 18 Dec 2018