Autor: Filipe Manuel Neto
**Uma agradável surpresa.**
O género de terror é um dos mais desgastados do cinema, e é difícil encontrar um filme que seja verdadeiramente genuíno. Este filme, no entanto, foi uma surpresa positiva, começando pelo seu roteiro, onde uma jovem alegre e despreocupada vê a sua vida destruída após adquirir uma maldição, que lhe é transmitida por um acto sexual. A partir daí, ela começa a ser perseguida por uma coisa, em forma humana, que caminha na direcção dela com o intuito de a matar.
Não é um filme extraordinário, não é revolucionário, não é uma obra-prima, mas dentro do seu género funciona muito bem. Não é um filme que assusta, mas cria uma tensão agradável e vai dando seguimento lógico à história sem perder esse ambiente de ‘suspense’. Dirigido e escrito de modo hábil e inteligente por David Robert Mitchell, o filme é bastante simples e, contudo, não deixa de parecer fora da caixa e fresco. Maika Monroe é a actriz mais destacada do elenco, e apesar de não ser uma estrela nem estar perto disso, penso que ela fez um trabalho bastante satisfatório e cumpriu muito bem com o que era esperado dela. Ela não é apenas outra menina a temer pela própria vida… ela parece estar mesmo em colapso emocional e psicológico.
Tecnicamente, o filme tem muitos aspectos interessantes, começando por uma cinematografia excelente, com um bom domínio da câmara e da luz. A edição também me parece bem feita e o filme desenrola-se naturalmente, sem problemas de ritmo notáveis. O filme opta por privilegiar a criação de ambiente e ‘suspense’ ao invés dos habituais sustos e pulos dos filmes convencionais de terror, e isso é realmente bom. Os cenários são muito bons, e a escolha de bairros suburbanos decadentes combina muito bem com a atmosfera tensa de todo o filme, e a origem social algo modesta da protagonista. A banda sonora contribui muito para a criação de ambiente e faz um trabalho muito bom, embora não fique no ouvido e dificilmente seja memorável por si mesma.
Em 21 Oct 2021