Autor: Filipe Manuel Neto
**Um dos primeiros grandes épicos bíblico.**
A Bíblia é um manancial de boas histórias, independentemente da fé ou crença religiosa que se professa, e o cinema tem sabido aproveitá-las muito bem. Datado de 1949, este filme foi um dos primeiros (senão mesmo o primeiro) grande filme épico a cores de fundo bíblico que Hollywood nos deu, inaugurando assim um sub-género de cinema que se revelaria popular e muito marcante.
A história contada não necessita de grandes apresentações, até quem nunca leu a Bíblia já ouviu falar dela: mil anos antes do nascimento de Jesus, os judeus viviam escravizados pelos filisteus, e a sua última grande esperança de libertação residia na força hercúlea de Sansão, o qual foi nomeado ao nascer para líder do povo judeu. Mas Sansão parece relutante em aceitar o seu destino e está encantado por Semadar, uma filisteia prometida em casamento. Por isso, rejeita os avanços da irmã dela, a impetuosa Dalila. Ela consegue urdir uma trama que leva o seu pai a dar Semadar em casamento a outro e, no decorrer da luta consequente, Semadar é morta e a casa de ambas as irmãs é destruída, levando Dalila a jurar vingança contra Sansão. Passados uns tempos, ela consegue seduzi-lo e concretiza a sua vingança da forma que todos conhecemos: roubando a força do herói.
O elenco deste filme conta com alguns nomes grandes da indústria. Pessoalmente, não creio ser possível ignorar a enorme performance de Hedy Lamarr, que conseguiu imortalizar-se com este filme. A actriz combinou harmoniosa e elegantemente toda a sua beleza e uma dose alta de malícia e perversidade. Ao lado dela, temos Victor Mature, também num dos papeis mais importantes da sua carreira (que curiosamente passou totalmente à margem do circuito dos Óscares e dos prémios da especialidade, para os quais nunca sequer foi chamado). No elenco de apoio podemos ainda mencionar as boas participações de George Sanders, muito elegante e compenetrado no seu papel, o grande vilão do filme, Henry Wilcoxon e as jovens Angela Lansbury e Olive Deering.
Vencedor de dois Óscares (Melhor Figurino e Melhor Direcção de Arte) e nomeado em mais três categorias (Melhor Banda Sonora Original, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Cinematografia), o filme é uma proeza técnica a vários níveis, começando pela escala. É uma grande produção, com muito dinheiro envolvido, e isso significa, em 1949, grandes cenários à escala e centenas de figurantes vestidos a preceito. Os cenários são muito bons embora por vezes imaginativos e os figurinos são visualmente impressionantes, embora também não devam muito ao rigor histórico. A cinematografia é bastante boa, não há grandes inovações mas todos os recursos habituais foram bem utilizados e o tecnicolor dá ao filme um brilho e um colorido que fazem qualquer pessoa sonhar acordada. Victor Young é o responsável pela banda sonora, carregada de sentido épico e fazendo um uso inteligente da percussão e dos sopros metais.
Em 13 Sep 2020