Primavera Para Hitler

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Lançamento: 18 Mar 1968 | Categoria: Filmes

Primavera Para Hitler

Nome original: The Producers

Idiomas: Inglês

Classificação:

Genero: Comédia

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Poster: Ver poster

Produção: Crossbow Productions, Springtime Productions, U-M Productions, AVCO Embassy Pictures

Sinopse

Max Bialystock (Zero Mostel) é um produtor teatral em uma maré de má sorte, que namora mulheres idosas com dinheiro para conseguir financiamento para suas novas peças. Entretanto, Max realmente acredita ter descoberto uma grande jogada quando conhece Leo Bloom (Gene Wilder), um contador que ao conversar com ele expõe a tese de que um fracasso pode ser mais lucrativo que um sucesso, bastando que se venda o espetáculo para diversas pessoas e fazer de tudo para que ele seja um retumbante fracasso, com sua temporada durando apenas um dia, pois assim não existirá lucro e todo o dinheiro que foi investido irá parar no bolso daquele que vendeu os direitos da peça. Após uma certa relutância, Leo se une a Max para montarem o pior musical que a Broadway já viu: "Primavera para Hitler". História refilmada em Os Produtores (2005).

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Reviews

Autor: Filipe Manuel Neto

**Castigat ridengo mores.** Mel Brooks é um dos grandes pensadores e inovadores da comédia filmada no século XX e é verdadeiramente incrível pensar que este foi o primeiro filme que dirigiu, e uma das suas primeiras obras cinematográficas onde colaborou. O filme é praticamente perfeito e tem material para fazer rir os mais diversos tipos de público. Claro, é um filme antigo e a sua notoriedade diminuiu muito nos últimos anos, mas vale a pena revisitá-lo e não deixar esquecer um filme com tantos méritos. Nomeado para dois Óscares na cerimónia de 1969, logrou trazer para casa a estatueta para Melhor Argumento Original. E de facto, é um roteiro digno de ser premiado: a história é simples e funciona com uma eficácia deliciosa, de maneira extraordinariamente leve. A trama começa com a chegada de um contabilista indicado pela banca para rever as contas de um produtor da Broadway que já viveu dias melhores: apesar dos sucessos do passado, ele limita-se agora a seduzir idosas abastadas, no esforço de as separar do dinheiro à custa da vã promessa dos lucros da sua “próxima produção”. À custa disso, ele assegurou que essa produção, a existir, não lhe renderá um centavo e, mesmo que seja um sucesso, levá-lo-á para a prisão por fraude. Assim, de conluio com o contabilista, idealiza um plano: levar à cena uma peça de teatro tão assombrosamente ignóbil que seja um fracasso garantido na primeira noite em palco! Assim, eles poderão embolsar o dinheiro restante e declarar-se falidos. E que tema seria melhor para garantir a pateada que uma ode ao Nazismo? O filme é impróprio para pessoas sem sentido de humor ou que sejam mesmo incapazes de apreciar o sarcasmo e compreender uma sátira: ainda há muitas pessoas que entendem as coisas de maneira literal e ficariam assombradas com as cenas da peça em si, como as próprias pessoas no teatro ficaram. É o único problema do humor satírico. No entanto, se fosse necessário provar que este é um filme profundamente antinazi, bastaria relembrar a origem judaica polaca de Gene Wilder e o judaísmo declarado do director Brooks, que se tem dedicado, ao longo da vida, a uma vingança pessoal em que ridiculariza os Nazis por todas as formas que encontra. Acho justo e apropriado, afinal “Castigat ridengo mores”. A nível técnico, o filme é soberbo: os valores de produção são excelentes e o filme parece mais caro e elaborado do que provavelmente foi (eu não sei os valores de orçamento nem o valor arrecadado em bilheteira). A fotografia é um pouco datada no tratamento da luz e da cor, mas o trabalho de filmagem e de edição é muito regular. As cenas em palco são as melhores e mais icónicas do filme, e a forma como o público reage ao que vai vendo tira as maiores gargalhadas a quem vê o filme pela primeira vez. O elenco é liderado por dois nomes relevantes do cinema, e a sua presença não pode ser menosprezada. Zero Mostel é um nome que as gerações mais novas ignoram, e que parece um pouco esquecido, mas era um actor cómico muito sólido e uma aposta sólida por parte de Brooks. Carismático, ele assegura um protagonismo eficiente e faz com que gostemos de uma personagem que, basicamente, é um burlão desprezível. Gene Wilder, que vivia nesta altura a fase áurea da sua carreira, encaixou-se perfeitamente aqui, dando-nos uma personagem profundamente simpática, ingénua ao ponto da infantilidade, que combina perfeitamente com a habilidade viperina e manhosa da personagem de Mostel. Além dos actores principais, temos ainda Dick Shawn e Christopher Hewett, dois actores a viverem os maiores papéis das suas vidas, acho eu. Kenneth Mars merece um louvor especial por um trabalho soberbo, onde mistura fanatismo, humor e loucura numa personagem que se consegue tornar agradável por mais detestável que seja.

Em 26 Dec 2024

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