A Garota Dinamarquesa

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Lançamento: 27 Nov 2015 | Categoria: Filmes

A Garota Dinamarquesa

Nome original: The Danish Girl

Idiomas: Inglês

Classificação:

Genero: Drama

Site:

Poster: Ver poster

Produção: Pretty Pictures, Working Title Films, Artémis Productions, Shelter Productions, Senator Global Productions, ReVision Pictures, Working Title Films

Sinopse

Na Copenhague de 1926, os artistas Einar e Gerda Wegener se casam. Gerda então decide vestir Einar de mulher para pintá-lo. Einar começa a mudar sua aparência, transformando-se em uma mulher, e passa a se chamar de Lili Elbe. Com o apoio, ainda que conturbado, da esposa, um Einar deprimido passa por uma das primeiras cirurgias de mudança de sexo da história para tentar se transformar por completo em Lili e recuperar o gosto pela vida.

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A Garota Dinamarquesa - Trailer Internacional

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Reviews

Autor: Filipe Manuel Neto

**Altamente militante, teria sido melhor um filme mais neutro.** Este é um filme difícil de comentar. Por um lado, e falando exclusivamente do ponto de vista da técnica, é um filme realmente muito bom e bem-feito. Por outro lado, tenho muitas questões e pontos de divergência que me impedem de realmente o aprovar. E é melhor o leitor estar pronto para discordar saudavelmente do que eu escrevo, porque eu não estou habituado a esconder o que penso, ou a amputar as minhas opiniões sob a guilhotina do politicamente correcto. Eu sei que o filme foi aclamado quando saiu e que a máquina publicitária o vendeu muito bem. Também sei que é dos filmes mais queridos da comunidade GLBT (e todas as letras e símbolos que quiserem acrescentar à sigla). Já escrevi algumas resenhas a outros filmes em que critiquei a excessiva cedência ao politicamente correcto, ou a "lobbies" morais ou sociais. Sendo o cinema uma experiência artística e de lazer, não gosto de o ver ser usado para fins de publicitação ou de inculcação de ideias e moralidades. É suposto gostarmos de ver um filme e vermos o talento e a arte dos envolvidos, e não sentirmos que o filme nos quer dizer o que devemos pensar sobre um assunto ou um tema, que é o que este filme tenta fazer. Para este exercício de “conversão”, o roteiro aborda uma figura desconhecida: Einar Wegener, pintor paisagista dinamarquês pouco conhecido internacionalmente e acerca do qual sabemos pouco porque ele ficou mais conhecido como personalidade “trans” do que como pintor. Casado com Gerda Wegener, também ela pintora, só depois de casado é que terá descoberto (ou assumido) a sua feminilidade, indo viver para Paris e passando a assumir-se como mulher e a usar o nome Lili Elvenes. O certo é que ele foi um dos primeiros homens a submeter-se a um processo cirúrgico de reconstrução genital, que terminou com a rejeição do órgão transplantado e a infecção generalizada que o levou à morte. O processo clínico foi queimado pelo Nazismo. Da época, sobrevivem apenas alguns diários de Wegener e testemunhos de quem o conheceu, material que foi, depois da sua morte, coligido e editado no livro “Man Into Woman”, publicado em 1933. Longe de ser uma biografia (e muito menos uma autobiografia, como se costuma dizer que é), o livro tinha já como objectivo dar a conhecer ao público os detalhes sobre a condição de Wegener e o procedimento médico, inovador e arriscado, a que aceitou submeter-se. Convenientemente, o roteiro tinha apenas os dados históricos suficientes para inventar um bom melodrama, cheio de sofrimento, dúvidas existenciais e muito material simpático à comunidade “trans”. Era o que se desejava. Questões mais pragmáticas, como a relação entre Einar e os seus familiares de origem e as consequências da transição que ele viveu na sua arte, e na aceitação da mesma pelo público e pelo mercado de arte, nunca são abordadas. O filme prefere veicular propaganda, como na famosa cena em que a personagem é agredida num jardim. A agressão não tem lógica numa cidade tão liberal como Paris e não há qualquer dado histórico que indique que Wegener sofreu agressões ou insultos naquela cidade, para onde o casal se mudou a fim de poder ter mais oportunidades artísticas e viver o frenesi dos Loucos Anos 20. Porém, a fim de cumprir o seu papel propagandístico, o filme precisava de dar essa alfinetada àqueles que, hoje, discriminam os “trans”, de modo que a cena foi colocada num ponto em que o público já teria certa simpatia com a personagem. Militante do início ao fim, o filme irritou-me sobremaneira. Uma abordagem neutra, fiel aos factos conhecidos e dando margem ao público para pensar por si mesmo teria sido melhor. Apesar de não gostar da forma como o filme foi pensado, adorei as interpretações de Eddie Redmayne e de Alicia Vikander. Eles empenharam-se a fundo no trabalho, especialmente ela, o que lhe valeu um Óscar, atribuído com inteira justiça (a questão de ser Actriz Secundária ou não parece-me um detalhe menor, e talvez a actriz também tenha pensado assim). A única objecção que tenho a fazer é esta: por que não um legítimo actor “trans” para o papel principal? Entendo a escolha de Redmayne, mas acho que ele nem sequer é parecido com o verdadeiro Wegener. Bem, para ser sincero, também não gostei de Amber Heard, acho que a personagem dela está a mais aqui e teria sido melhor substituí-la por alguém mais próximo da personagem principal (um dos irmãos, por exemplo). Tecnicamente, o filme tem bons valores de produção que vale a pena salientar: os cenários e os figurinos são excelentes e recriam muito bem a época e os ambientes onde as personagens se movem, a cinematografia é realmente muito boa e a escolha dos locais de filmagem foi feita de modo muito ponderado e criterioso. A banda sonora, apesar de soar melosa e lenta, fica bem no filme.

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