Autor: Filipe Manuel Neto
**Um bom filme sobre uma das grandes bandas rock do século XX.**
Este é um daqueles filmes que foi feito a pensar nos fãs de uma personalidade, mais do que no resto do público. Isso, porém, não é propriamente um problema aos meus olhos, é antes uma característica deste filme, comum a outros filmes biográficos que são centrados em figuras muito populares como desportistas, músicos ou outras.
Dirigido por Bryan Singer, o filme aborda o percurso da notável banda rock “Queen” e do seu vocalista, Freddie Mercury, que a imortalizou com actuações memoráveis e um sentido de palco e de espectáculo que só as grandes estrelas possuem. Mercury também se notabilizou pelo facto de ter sido uma das primeiras grandes superestrelas a viver sem rodeios a sua homossexualidade e a morrer de SIDA. Como biografia, é um filme bastante aceitável e, até onde fui capaz de perceber, respeita o essencial da vida e percurso artístico dos visados. Claro, sendo um filme sobre um cantor de rock, não se pode ignorar a banda sonora onde pontificam as canções mais famosas e reconhecíveis da banda e podemos ver uma encenação da famosíssima actuação ao vivo que eles fizeram no “Live Aid” de 1985, uma das actuações musicais ao vivo mais aclamadas de sempre em toda a história do rock.
Obviamente, o filme estava condenado ao sucesso financeiro e, sem grandes surpresas e ao cabo de semanas de investimento publicitário, encontrou grande adesão do público e tornou-se num dos grandes sucessos de bilheteira daquele ano. A crítica também não fez grandes objecções e o filme chegou aos Óscares como um dos favoritos na cerimónia: de um total de cinco nomeações, arrecadou quatro estatuetas (Melhor Actor, Melhor Edição, Melhor Mistura de Som e Melhor Edição de Som) perdendo apenas a de Melhor Filme.
De facto, para além das boas canções e de um bom roteiro, o filme oferece-nos uma das melhores actuações de Rami Malek, actor que não podia ser mais indicado para o papel de Freddie Mercury. Além de todas as semelhanças físicas que o actor aproveitou para encarnar a personagem, ele conseguiu interpretá-la de uma forma digna e respeitadora, sem transformar o “seu” Freddie numa espécie de imitação barata da pessoa verdadeira. No entanto, enquanto eu via o filme, não pude deixar de sentir que Malek era o único em cena a merecer os holofotes, e que o filme carecia de um elenco de apoio igualmente bom e que desse algum carisma aos restantes membros da banda, transformados em figurantes numa história onde apenas Mercury foi levado em consideração.
Em 22 Nov 2023