Autor: Filipe Manuel Neto
**Um bom drama histórico, algo sub-valorizado.**
Este é um bom filme histórico que retracta o período inicial do reinado de Isabel I de Inglaterra. Sendo uma mulher, o filme centra-se nas suas relações amorosas e na forma como tentou afirmar o seu poder diante dos seus inimigos e de uma corte conspirativa e intriguista. Historicamente, o filme parece estar próximo da verdade, apesar da existência de discrepâncias.
É o primeiro de três filmes que retractam o reinado desta monarca, encarnada por Cate Blanchett, uma notável actriz que consegue, nesses três trabalhos, a sua "magnum opus". E não é para menos! Blanchett conseguiu capturar o aspecto físico e as características mais prováveis da personalidade da rainha. Um verdadeiro trabalho de camaleão que rendeu à actriz o Globo de Ouro de "Melhor Actriz Dramática" (merecia o Óscar de Melhor Actriz mas, às vezes, a Academia de Hollywood parece não saber ver algo bom quando está à sua frente). Outro actor que merece parabéns é Geoffrey Rush, que deu vida a Sir Francis Walsingham. Sir Richard Attenborough também participou no filme (deve ter sido um dos seus últimos filmes) no papel de Lord Burleigh. No entanto, o papel masculino que se destaca é Robert Dudley, que foi interpretado por Joseph Fiennes. Fiennes conseguiu dar-lhe uma essência oportunista e um tanto hipócrita.
Os cenários e figurinos são absolutamente rigorosos do ponto de vista histórico e, retractam bem a moda e os ambientes da era elizabetana. As cores são boas, os ângulos da câmara são excelentes, os diálogos memoráveis e dignos de citação. É um excelente filme que acabou na sombra e não chamou a atenção do público e dos críticos. Sub-estimado, talvez um olhar ao total dos três filmes permita que tenha uma análise diferente e mais justa.
Em 04 Apr 2018