Autor: victor damião
Para mim, "Escape Room" de 2019, funciona mais do que um suspense de armadilhas engenhosas, porque por trás da tensão e dos enigmas ele apresenta uma crítica amarga à forma como o sofrimento humano pode ser transformado em espetáculo; eu vejo o filme como uma história sobre pessoas traumatizadas que, em vez de encontrarem cura ou compreensão, são reduzidas a peças de entretenimento por uma estrutura fria, calculista e quase invisível, o que torna sua premissa mais perturbadora do que simplesmente "escapar de salas". O que mais me chama atenção é que o filme sugere que sobreviver não basta, porque o verdadeiro horror não está só nos desafios físicos, mas no sistema que manipula, observa e lucra com a dor, e é justamente isso que dá força ao final. O próprio título, nesse sentido, me parece inteligente e irônico, porque a "sala de fuga" não é apenas o cenário literal, mas também o trauma, o medo e a engrenagem que aprisiona os personagens em suas piores experiências. No fim, eu considero "Escape Room" um filme que talvez não seja revolucionário em sua execução, mas que encontra uma ideia poderosa ao mostrar que, em um mundo dominado por controle, voyeurismo e desumanização, escapar de um espaço não significa necessariamente conquistar liberdade. Gostei mais que eu esparava, então minha nota é 8/10.
Recomendo.
Disponível na Netflix.
Em 23 Mar 2026