Autor: Eduardo Barbosa
Temos aqui a estética típica de Del Toro, tal como vimos em seu filme anterior, O beco do pesadelo (2021). Mas sua versão do Pinóquio é uma animação em stop-motion, na qual bonecos e cenários são construídos para o filme. O resultado, esteticamente, é belíssimo.
Esta é uma animação que precisa ser vista no idioma original. Não dá para deixar de lado as dublagens que são de uma qualidade excelente. É muito mais do que ler diálogos, é atuação em estado vibrante. A voz de Christoph Waltz como Volpe é incrível, assim como as dublagens de Tilda Swinton, Ewan McGregor como o grilo falante, Gregory Mann como Pinóquio e Cate Blanchett como o macaco e David Bradley como Gepeto é espetacular.
Del Toro transporta a história do boneco de madeira que ganha vida para a Itália fascista dos anos 30 comandada por Mussolini. É por entre recados políticos e lições sobre humanidade que a história se desenrola.
Durante a guerra Gepeto perde seu único filho por causa de uma bomba que cai na cidade. A partir daí se torna um homem alcoólatra e depressivo. Numa noite de angústia constrói um boneco com a madeira da árvore que o filho plantou e um espírito da floresta se compadece e dá uma alma para o boneco. Assim nasce Pinóquio, para consolar Gepeto enquanto ele estiver vivo. Mas o menino de madeira é rejeitado por Gepeto e pela cidade. Ele não se encaixa no que as pessoas consideram como um menino de verdade. É uma aberração. Pinóquio não entende por quê é rejeitado, quer ir para a guerra de Mussolini, quer trabalhar no circo para ser útil, conseguir dinheiro para enviar ao pai e ter o seu amor.
O roteiro é muito bem construído, tudo se encaixa. O desfecho é muito tocante. Pinóquio por del Toro é uma verdadeira obra de arte afetuosamente arquitetada para ser assista por crianças e adultos. Seu grande mérito é trazer uma história tão linda de aceitação e amor em um momento do planeta no qual há ódio demais em circulação.
São obras como essa que nos faz cada dia mais apaixonados por cinema.
Em 27 Dec 2022