Autor: Filipe Manuel Neto
**Isto nunca devia ter sido feito.**
Não é mais a primeira vez que escrevo uma resenha aqui sobre filmes que nunca deviam ter sido feitos porque nem o público, nem o cinema como arte ou meio de comunicação e de entretenimento, ganharam com isso. Este é apenas mais um, mais outro caso de desperdício de celulóide e electricidade. O enredo gira em torno de um transexual ou travesti deformado chamado Divine. Ele (bem, ela... seja lá o que for) tem o título (provavelmente auto-concedido) de "pessoa mais imunda do mundo" e aqui vai ter de defendê-lo.
O filme tem tudo... drogas pesadas vendidas nas escolas, bebés a serem vendidos a casais gay, cocó de cão a ser comido... Certamente vi filmes caseiros com um roteiro melhor do que esse monte de provocações. O criador desta aberração é John Waters, que usa muitos desses insultos na sua criação cinematográfica, convencido de que está a fazer arte. Infelizmente, não posso convencê-lo do contrário.
Eu entendo porque as pessoas viram este filme quando foi lançado, em 1972. A viragem dos anos Sessenta para os Setenta foi marcada por provocações sociais e rebeldias, levadas a cabo por uma geração jovem que era cada vez mais exigente e contestatária. Mas nas revoluções muita coisa é mal feita. Este filme, feito para provocar, foi um desses erros.
Em 06 Oct 2018