Autor: Filipe Manuel Neto
**Bond na corrida espacial.**
Todos sabemos que uma parte da rivalidade entre a URSS e os Estados Unidos foi um jogo de orgulho e superioridade a vários nÃveis. Um deles foi a corrida espacial, com os dois paÃses a tentarem superar-se, em feito e tecnologia aeroespacial. Dirigido por Lewis Gilbert e produzido por Albert Broccoli, o décimo primeiro filme da franquia é o filme que mais directamente aborda este tema, que outros filmes arranharam anteriormente. Para os brasileiros, é certamente um filme especial pois foi parcialmente filmado no Brasil e até mostra o Carnaval do Rio.
O roteiro é basicamente este: James Bond é destacado para investigar o o desaparecimento do protótipo de um vaivém espacial pertencente à s Indústrias Drax, que são propriedade de um milionário americano fascinado com as oportunidades que podem surgir da conquista do espaço. Claro, ele é o vilão e tem mais um plano maquiavélico qualquer para arrasar meio mundo, cabendo a Bond travá-lo a tempo. Até certo ponto, Drax é igual a Stromberg, o vilão do filme que precedente. Ambos sentem um fascÃnio por ambientes que não são deles (o mar e o espaço), e desprezam a humanidade em absoluto. Contudo, acredito que a decisão de fazer deste filme uma odisseia espacial foi uma resposta à crescente popularidade dos filmes de ficção cientÃfica... lembre-se, caro leitor, que este filme foi lançado em 1979, o mesmo ano do primeiro filme da franquia "O Caminho das Estrelas" e dois anos depois do primeiro filme de "Star Wars". Mas independentemente das razões pelas quais este roteiro foi escrito, este é um filme muito interessante, com momentos e cenas muito boas.Uma das cenas mais famosas do filme é a abordagem da estação espacial na órbita terrestre, ou ainda toda a sequência de luta no teleférico do Corcovado e a gôndola veneziana que, de repente, se transforma em hovercraft.
Neste filme, além do elenco central, podemos ver Lois Chiles no papel da bondgirl Holly Goodhead e Michael Lonsdale como Drax, o vilão. Os actores, claro está, são bons e cumprem bem com o que é exigido pelo roteiro e por nós, público. De salientar que foi o último filme de 007 para o veteranÃssimo actor Bernard Lee, que vinha dando vida a M e faleceu passado pouco tempo de o filme ser lançado. Richard Kiel, com a personagem Jaws, foi tão popular no filme anterior que reaparece neste filme basicamente a fazer a mesma coisa: tentar matar Bond. A personagem, porém, reabilita-se e transforma-se ao longo do filme, especialmente quando encontra o amor. Isto é importante se você pensar que, até ao momento, ele é o único vilão em toda a franquia que se redime e, presumivelmente, se torna bom.
Em 19 Feb 2018