Autor: Filipe Manuel Neto
**Com uma história um pouco confusa, o filme vale a pena pelo espectáculo visual e técnico, assim como pela boa performance do elenco.**
Não quero ter a pretensão de ter público, mas acredito que se algum leitor mais paciente e gentil tiver tido tempo para ler alguns dos apontamentos que já escrevi noutros filmes há algo que eu deixo transparecer quando escrevo: eu não costumo ler muito acerca de um filme antes de o ver. Sigo um pouco o meu instinto e deixo-me surpreender ou decepcionar, deixando as leituras para antes de escrever estas notas. Foi o que fiz com este filme, vendo-o sem perceber que era uma espécie de prequela da franquia “Alien”. Percebi mais tarde, na parte final do filme.
O filme começa com a viagem estelar da nave de exploração “Prometheus”, que parte em busca de uma lua onde supostamente haveria condições para a vida, e de onde terão vindo primitivos astronautas que, há milénios atrás, deram origem à vida na Terra. Claro, há tensões latentes no seio da tripulação: alguns acreditam piamente na existência desses “engenheiros” (é como eles chamam aos ditos astronautas antigos), outros nem tanto, enquanto que a comandante da nave parece ter uma espécie de agenda própria. O que eles vão encontrar? É melhor ver o filme…
O filme foi bastante melhor do que eu esperava. Não sou um fã da franquia “Alien” e não sou a melhor pessoa para julgar até que ponto se articula bem com os filmes já existentes. Penso que o roteiro faz um bom aproveitamento das teorias da conspiração dos “antigos astronautas”, as quais foram muito divulgadas por programas de TV dedicados a elas, mas confesso que há muita confusão no roteiro, coisas que não entendi simplesmente. Há cenas algo desconexas, soltas, e momentos que não consegui compreender. A direcção ficou a cargo de Ridley Scott, que fez um trabalho bastante satisfatório, assentando o filme numa mistura de sci-fi com efeitos visuais e CGI de qualidade. Infelizmente, penso que muitos dos conceitos científicos usados no filme são mais fantasias sci-fi do que ciência séria.
O elenco conta com vários nomes fortes, e quase todos estão em excelente forma e brindam-nos com um trabalho impecável. Gostei particularmente de Noomi Rapace, Idris Elba, Michael Fassbender e Logan Green. Apesar de ser talentosa e se desembaraçar bem no seu papel, acho que já vi Charlize Theron em melhor forma e mais à vontade com outras personagens e noutros trabalhos.
Tecnicamente, o filme é extraordinariamente visual: além do melhor CGI que podia encontrar, o filme faz bom uso de uma cinematografia muito cuidadosa e hábil. O mundo extraterrestre ao qual somos apresentados tem tanto de familiar quanto de estranho e invulgar, e consegue criar no público uma sensação de tensão permanente que se vai tornando cada vez mais sinistra. Os efeitos visuais, especiais e sonoros são do melhor que há e funcionam bem. A banda sonora é fundamental para o ambiente tenso e funciona de modo satisfatório.
Em 10 Oct 2021