Autor: Pedro Quintão
Caveat é um daqueles filmes que nos deixa a pensar e, ao mesmo tempo, é difícil de descrever. Está situado no mesmo universo de Oddity, um filme que adorei, e partilha com ele aquela atmosfera mórbida e bizarra que nos envolve do início ao fim. A ambientação é um dos pontos altos, pois a casa onde a história se desenrola é simplesmente horrível, ao ponto de me perguntar quem é que conseguiria viver ali. A estética e o design de produção contribuem muito para o desconforto e tornam o filme visualmente marcante.
O ritmo é lento, o que pode afastar alguns espectadores. Não é um filme de terror para toda a gente, mas sim para quem gosta de slow burns, onde a tensão se constrói gradualmente em vez de recorrer a sustos fáceis. Apesar de ser um filme parado e sem grande ação, conseguiu envolver-me, ainda que nunca tenha chegado a ser realmente memorável. Existem momentos de tensão bem conseguidos e algumas cenas genuinamente assustadoras, por exemplo: houve dois pequenos momentos, de apenas alguns segundos, que me deixaram arrepiado.
O meu grande problema com Caveat é o ato final. Depois de um crescendo interessante, esperava que o desfecho fosse mais intenso, mais aterrorizante. Em vez disso, acaba por ser um desfecho morno, longe da insanidade que parecia estar a preparar-se ao longo da narrativa. Foi um anticlímax que me deixou com sentimentos mistos.
Outro aspeto que me intrigou foi a sensação de não conseguir perceber em que época a história se passava. Em alguns momentos parecia um filme situado nos anos 70 ou 80, mas noutras cenas dava a ideia de ser mais atual. Essa indefinição, longe de ser um defeito, acaba por reforçar a estranheza e a sensação de desconforto que o filme transmite.
Gostei muito do elenco, que entrega interpretações peculiares, estranhas até, mas que funcionam dentro do tom surreal da história. Caveat é, no geral, uma experiência intrigante. Não é um filme perfeito e não me marcou profundamente, mas para quem gosta de terror independente, com uma abordagem mais bizarra e atmosférica, vale a pena dar-lhe uma oportunidade.
Em 24 Feb 2025