Autor: Pedro Quintão
Texas Chainsaw (2013) é um daqueles filmes que, apesar das críticas negativas, considero longe de ser o desastre que muitos pintam. Talvez seja uma opinião pouco popular, mas vejo-o como uma obra minimamente competente dentro do género de terror. Tem falhas, sem dúvida, mas também apresenta ideias repletas de potencial que, se fossem melhor aproveitadas, poderiam ter levado a saga para um nível completamente diferente.
A decisão de fazer deste filme uma sequela direta ao clássico de 1974, ignorando as restantes continuações, é um risco que funciona como uma verdadeira faca de dois gumes. Por um lado, permite corrigir muitos erros que algumas sequelas anteriores cometeram. Por outro, comete um erro ao matar a família Sawyer nos primeiros cinco minutos. As dinâmicas de insanidade e caos entre os membros da família Sawyer são a essência da saga The Texas Chainsaw Massacre. Por mais icónico que Leatherface seja, ele é um vilão que brilha muito mais quando está rodeado pela loucura da sua família desiquilibrada, tornando a ambientação ainda mais bizarra e perturbadora. Retirar essa componente enfraquece a atmosfera e o impacto que o filme poderia ter.
Outro ponto com muito potencial, mas mal aproveitado, é **(SPOILER)** o plot twist sobre a protagonista ser parte da família Sawyer. É uma ideia brilhante que tinha tudo para criar algo marcante, mas surge demasiado tarde, na reta final, deixando pouco tempo para explorar as suas implicações. Se este elemento tivesse sido introduzido a meio do filme, poderia ter mudado completamente a dinâmica e tornado a narrativa muito mais cativante. **(FIM DOS SPOILERS)** Em vez disso, o filme gasta 70% do seu tempo a ser um slasher apenas competente, mas genérico.
Continuando a falar de pontos fracos, as figuras centrais são extremamente genéricas, com personalidades tão limitadas que mal conseguimos distingui-las. Não têm qualquer carisma ou profundidade, o que impede que se crie qualquer ligação emocional com elas. É pena, porque no terror, a empatia pelos protagonistas faz toda a diferença.
Apesar de tudo, devo admitir que apreciei a tensão do filme. Embora não atinja os níveis intensos e opressivos do remake de 2003, consegue manter-nos interessados o suficiente para querermos saber como tudo irá terminar. Não é um terror que leva a ansiedade ao limite, mas é suficientemente envolvente para entreter.
Em suma, Texas Chainsaw (2013) não é fantástico, mas também não é mau. Tem as suas falhas, mas é um filme com ideias e um grande potencial que mereciam melhor execução. Para quem é fã da saga, é uma experiência que vale a pena, nem que seja para apreciar os momentos que efetivamente funcionam. Contudo, fica a sensação de que, com mais cuidado na escrita e um aproveitamento mais inteligente das suas ideias, poderíamos ter tido algo realmente especial.
Em 25 Nov 2024