...E o Vento Levou

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Lançamento: 15 Dec 1939 | Categoria: Filmes

...E o Vento Levou

Nome original: Gone with the Wind

Idiomas: Inglês

Classificação:

Genero: Drama, Guerra, Romance

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Produção: Selznick International Pictures, Metro-Goldwyn-Mayer

Sinopse

Scarlett O'Hara é uma jovem mimada que consegue tudo o que quer. No entanto, algo falta em sua vida: o amor de Ashley Wilkes, um nobre sulista que deve se casar com a sua prima Melanie. Tudo muda quando a Guerra Civil americana explode e Scarlett precisa lutar para sobreviver e manter a fazenda da família.

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Reviews

Autor: Filipe Manuel Neto

**Para mim, o melhor filme de todos os tempos.** Há filmes cuja qualidade é tal que deveríamos vê-los com um carinho e uma atenção especiais. Este filme, talvez o mais belo e notável da história do cinema, imortalizou os actores que lhe deram vida e já faz parte da memória de várias gerações. Dirigido por Victor Fleming e produzido por David O. Selznick, este filme tem roteiro baseado num romance de Margaret Mitchell. A sua história é tão conhecida que é difícil fazer "spoil": Scarlett é uma menina do Sul, rica, mimada e caprichosa, que gosta de festas e namoricos com vários pretendentes. Em circunstâncias normais, a grande preocupação dela seria fazer um bom casamento e ela há muito que tem um amor mais ou menos secreto por Ashley Wilkes, o dono da plantação ao lado da do seu pai, Tara. Mas ele está comprometido com uma prima, Melanie, o que lhe desperta gigantescos ciúmes. Nisto, explode a Guerra Civil Americana, conflito onde a vida que Scarlett sempre conheceu irá desaparecer para sempre, levada pelo vento da História. Assim, ela acaba por se associar a Rhett Butler, um capitalista de muito má reputação, que passa a vida em bordéis mas depressa se apaixona pela jovem. Um dos triângulos amorosos mais famosos de sempre, conta com Vivien Leigh e Clark Gable nos papéis principais. Este filme é provavelmente um dos mais notáveis ​​da Um filme que . Ganhou oito Óscares, nomeadamente Melhor Filme, Melhor Edição, Melhor Direcção de Arte, Melhor Fotografia a Cores, Melhor Argumento, Melhor Director, Melhor Actriz Principal, Melhor Actriz Secundária (pela primeira vez concedido a uma actriz negra) e duas estatuetas especiais para R.D. Musgrave e William Cameron Menzies, por proezas técnicas. Foi ainda nomeado para mais cinco, num palmarés de prémios que por certo é feliz espelho da enormíssima qualidade de todo o trabalho aqui desenvolvido. Vivien Leigh tornou-se com este filme uma lenda do cinema. Longe de ser a donzela em perigo, a personagem resolve problemas e enfrenta dificuldades com tenacidade e força de vontade. É, sem dúvida, uma das personagens femininas mais fortes do cinema clássico e combina de uma forma perfeita com a dureza e truculência do Capitão Butler, interpretado por Gable, um dos maiores galãs que o cinema já conheceu, famoso pelos muitos romances que foi tendo com as mais belas actrizes em Hollywood. Na verdade, quando este filme estava em filmagens, as vozes mais maliciosas envolveram-se em conjecturas quanto a uma paixão entre Gable e Vivien, mas a verdade era muito mais engraçada: os dois actores detestavam-se ao ponto de Leigh criticar Gable por causa do seu mau hálito e o actor, ao invés de se perfumar, ter o prazer de comer cebolas antes das cenas em que teriam de contracenar. E apesar de Gable ter detestado fazer este filme, tornou-se imortalmente famoso em grande parte devido a ele. Uma outra grande actriz, Olivia de Havilland, brilhou no papel da doce e amável Melanie Wilkes, casada com Ashley, interpretado por Leslie Howard. Tentar analisar os aspectos técnicos deste filme é muito impressionante e mostra a arte que há aqui. Centenas de figurantes, milhares de cavalos e figurinos projectados para recriar a aparência histórica. As cenas no campo são fabulosas e algumas das cenas de guerra são comoventes e tocantes, como as cenas onde Scarlett ajuda no hospital militar ou aquela famosa cena do juramento de Scarlett. Uma das sequências mais famosas é o incêndio de Atlanta, onde foi usado fogo real, tornando as cenas mais realistas e verdadeiramente antológicas. As cores brilhantes tornaram o filme ainda mais bonito, do ponto de vista visual, e a banda sonora, da autoria de Max Steiner, é excepcional. O tema principal fica logo no ouvido, tornando-se uma das canções mais famosas do cinema. Por todas estas razões, este filme ganhou uma enorme popularidade e é, hoje, dos mais lucrativos e populares de todos os tempos. Para mim, é também o melhor filme de todos os tempos, apesar dos muitos outros grandes filmes que se seguiram, ao longo das décadas.

Em 23 Feb 2018

Autor: Filipe Manuel Neto

**UMA OBRA CINEMATOGRÁFICA TÃO COLOSSAL QUE EU PEÇO DESCULPA A TODOS POR TER ESCRITO UMA CRÍTICA TÃO ABSURDAMENTE LONGA, MAS EU TINHA DE O FAZER.** CRÍTICA QUE ESCREVI APÓS REVER O FILME. Em 1936, Margaret Mitchell publicou o romance “Gone With the Wind”, abertamente simpático à chamada Causa Perdida. A autora, que cresceu em Atlanta, num meio ressentido pelo fim do Velho Sul, conseguiu unir no seu livro uma narrativa que lamenta a derrota sulista com uma apelativa história de resiliência. O romance podia ter sido detestado por metade dos americanos, mas foi um êxito: o público, imerso nas agruras do Dust Bowl e da Depressão, reviu-se no exemplo de tenacidade da personagem central, Scarlett. O livro acabou por vencer o Prémio Pulitzer em 1937, mas Hollywood riu da ideia de o adaptar ao cinema antes mesmo de ser publicado: um tijolo de mil páginas era o pesadelo dos argumentistas, além de que filmes sobre a Guerra Civil não vendiam! Quem mudou isso foi Kay Brown, editora do produtor David O. Selznick: ela leu a sinopse do livro e enviou uma nota ao patrão: “compre os direitos já!” Foi o que ele fez, por 50 mil dólares, uma fortuna para uma novata. Anos depois, enviar-lhe-ia um cheque adicional no mesmo valor por sentir que pagou pouco! Selznick tinha feito carreira na MGM, mas montara a produtora independente Selznick International Pictures. Em 1937, delegou a escrita do argumento em Sidney Howard, que lhe deu um texto para quase seis horas de filme recusando-se a encurtá-lo. Selznick foi obrigado a dar a tarefa a uma sucessão de autores que contratava e despedia consoante o resultado, numa caótica dança de cadeiras que deixou a filmagem sem argumento final e sujeita às mudanças que Selznick decidia no próprio dia! O resultado é um texto onde é Howard foi creditado, mas que foi cortado, cosido e mastigado ao gosto de Selznick. Para a direcção, contratou George Cukor, que dirigiu a pré-produção, os castings e a concepção dos cenários, figurinos e adereços. Toda a filmagem decorreu nos estúdios de Culver City, em cenários que nos dão uma visão idílica do Velho Sul. David O. Selznick não se importou nada com a recriação histórica, mas tinha uma obsessão por detalhes que o fazia exigir perfeição. Tara, a plantação principal, ganhou um aspecto mais imponente do que no livro para satisfazer a expectativa do público. Walter Plunkett, o figurinista, pesquisou intensamente o vestuário da época num esforço para criar mais de cinco mil peças de roupa credíveis, incluindo anáguas e espartilhos sob medida! Os uniformes são igualmente realistas, tingidos e envelhecidos artificialmente para parecerem desgastados. Além dos problemas para fazer um argumento adaptado, a produção começou a enfrentar dificuldades sérias de financiamento: o dinheiro esvaía-se como água e a empresa de Selznick precisava de fundos para acabar o filme e uma rede de distribuição capaz de garantir algum lucro. Assim, ele teve de engolir o orgulho e procurar o seu sogro Louis B. Mayer, o poderoso patrão da MGM. Com a faca e o queijo na mão, Mayer, um implacável negociador, exigiu 50% dos lucros e os direitos de distribuição em troca de apoio e da participação de Clark Gable, um actor com contracto MGM. Gable, que não queria fazer este filme por ter de chorar em cena, aceitou após receber 50 mil dólares para pagar o divórcio e casar com a amante de longa data, Carole Lombard. O acordo foi feito em Agosto de 1938 e pouco depois começaram as filmagens. Para ver o aspecto final das cenas, George Cukor pediu a William C. Menzies para fazer storyboards com milhares de aguarelas coloridas. Isto permitia antever enquadramentos e cores, usando-as para acentuar as emoções. Para filmar, alugaram sete câmaras Tecnicolor muito pesadas, que requeriam uma iluminação intensa com holofotes quentes. A filmagem decorreu sob o olhar da técnica Natalie Kalmus, da Tecnicolor, que devia garantir a qualidade da cor segundo a técnica especificada rigorosamente pela empresa. Três semanas após o arranque das filmagens, Clark Gable conseguiu que George Cukor fosse mandado embora e trocado por Victor Fleming, que estava a dirigir “O Feiticeiro de Oz” onde já substituíra Cukor. Apanhando as filmagens a meio, o director limitou-se a seguir os storyboards já feitos, o que garantiu uma homogeneidade visual ao filme apesar das confusões, e a imprimir ao filme um ritmo mais dinâmico e grandioso que Selznick aprovava. O filme ganhou escala monumental com batalhões de figurantes, como se vê na cena onde Scarlett caminha entre milhares de feridos: o cenário foi composto com mil figurantes vestidos a rigor e outros tantos manequins, e a cena foi filmada a partir de uma colossal grua de 27 metros de altura, num take contínuo, que começa com um grande plano da actriz e se afasta e eleva suavemente. Não obstante, era um director mais agressivo e isso levou a conflitos com as actrizes e à intromissão persistente de Selznick em todos os detalhes, decidindo ângulos, enquadramentos e diálogos. Para o incêndio de Atlanta, ele quis a coisa real e mandou pôr fogo a dezenas de gigantescos cenários de filmes anteriores! O momento é um dos mais dramáticos do filme e foi o mais perigoso, podendo danificar as câmaras e exigindo a atenção dos bombeiros. Para filmar indoor, usaram cenários elaborados e pinturas mate sobre vidro habilmente postas diante da câmara para se fundirem ao cenário. Atrasadas, as filmagens continuaram a um ritmo brutal de 16 a 20 horas de trabalho, que obrigava a equipa a uma rotina arrasante: havia quem fumasse compulsivamente e até quem tomasse anfetaminas, como o próprio Selznick parece que fez. Ao fim de uns meses, o figurinista foi hospitalizado com um esgotamento e o próprio Fleming acabou por ter um colapso nervoso. Nas suas palavras “se não descansar, atiro-me de um penhasco”. Selznick teve de chamar Sam Wood para continuar a filmar e dar tempo à sua recuperação. Este é um filme revolucionário do ponto de vista da técnica e, principalmente, da escala da produção. Não era usual até aí ver uma produção tão absurdamente complexa, luxuosa e dispendiosa (custou 4 milhões de dólares a fazer numa época em que a maioria dos filmes não chegava a custar um). O filme cresceu desmesuradamente, foi filmado sem um roteiro pronto quase até ao fim, com cenas alteradas no último momento e a intromissão de um produtor autoritário que não deu margem criativa aos directores. O filme estabeleceu um padrão para o cinema épico, popularizou o tecnicolor e deu aulas de enquadramento, cinematografia e design de produção. A banda sonora, composta por Max Steiner, continua a ser uma das mais reconhecíveis e amadas do cinema. No entanto, nunca ficaria completo sem um elenco luxuoso. Clark Gable e Vivien Leigh dominam o filme de modo visceral, com interpretações poderosas e uma química palpável. Ambos tiveram dificuldade em suportar o mau ambiente nos bastidores e o ritmo brutal de trabalho, ambos fumavam demasiado, ele comia cebolas e ela odiava o hálito dele. Butler e Scarlett são um dos casais cinematográficos mais icónicos de sempre, muito humanos nas suas falhas e defeitos, mas carregados de energia e resistência. Olivia de Havilland oferece-nos o contraponto perfeito, numa personagem que exala bondade, empatia, compreensão e altruísmo, e onde esta actriz brilhou como poucas teriam feito. Thomas Mitchell fez um excelente trabalho e Leslie Howard, embora faça uma personagem que não parece saber o que quer, ou quem quer, também não decepcionou. Quem merece um louvor especial é Hattie McDaniel: a personagem pode ser estereotipada, mas a actriz soube humanizá-la e torná-la crível, merecendo o Óscar que ganhou, o primeiro alguma vez dado a uma actriz afro-americana. Falar nesta actriz leva-me a ter de falar num dos dois grandes problemas deste filme: a maneira higienizada e limpa como mostra a escravatura. Na vida real, os escravos usavam roupas de cores vibrantes, lenços de cabeça azuis, amarelos e vermelhos com padrões, mas tudo muito sujo e desgastado pelo trabalho intensivo e pelos maus-tratos a que eram sujeitos. Aqui, vestem roupas cinzentas ou castanhas quase imaculadas, numa opção deliberada para que se diferencie visualmente o escravo do seu senhor. Infelizmente, também contribuiu, sem querer, para reforçar a falsa ideia de uma escravatura invisível, “aceitável” e feliz com o seu estado. A opção tomada justifica-se: o livro tinha sido criticado por movimentos afro-americanos devido às referências raciais pesadas e menções ao Ku Klux Klan, Selznick não queria passar por isso e preferiu mostrar uma escravatura suavizada, sem referências raciais ou cenas chocantes. Além do medo de boicotes, a produção tinha a censura da MPPDA, a entidade reguladora que limitava o que podia ou não ser dito e exibido. Graças às suas cautelas, a maior objecção feita foi ao uso da palavra “damn”, perto do fim, crítica que sectores conservadores também secundaram, juntamente com a apologia do divórcio e a banalização do adultério. Mais recentemente, o filme tem sido alvo de críticas crescentes e de um certo “cancelamento” baseado numa visão Woke da cultura e da literatura, que impõe novas formas de censura e queima livros como o Nazismo. Cada obra literária e cinematográfica tem de ser entendida dentro da mentalidade dominante da sua cultura e da sua época. Avaliar este filme pela mentalidade do século XXI é tão estúpido como censurar John Pemberton por ter inserido cocaína na fórmula da Coca-Cola. Nunca vai haver um autor perfeito, uma obra que agrade a todos. Este é um filme estereotipado, estruturalmente racista (até nos detalhes, como o salário pago ao elenco de cor) e que contribui para o saudosismo de um passado que não existiu ao mostrar o Velho Sul como a terra de cavalheiros e donzelas. Uma mentira! Diferentemente do Norte industrializado, era uma terra de campos de cultivo sem fim, mas assentava numa base social que perpetuava desigualdades baseadas na cor da pele e no direito de um homem ser dono de outro homem. Esse “direito” nada tem de cavalheiresco, nem tampouco de cristão, mas a inconveniência de mudar era tão grande que os cavalheiros do Sul preferiram morrer a aceitar. É um filme que mente, não é perfeito, mas continua a ser um dos melhores filmes já feitos. Foi um horror para produzir, com uma sucessão de directores e argumentistas, conflitos nos bastidores, problemas financeiros, actores sob pressão e uma equipa à beira do colapso mental, mas foi o filme que fez a carreira de todos os que trabalharam nele e que imortalizou a visão, a persistência e a tenacidade do homem ao leme do projecto: David O. Selznick.

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