Autor: Pedro Quintão
Decidi rever REC 3 porque estou a rever a saga e já não me lembrava de nada sobre este filme. Os críticos continuam a tratá-lo como o pior capítulo da franquia. Talvez seja mesmo o mais fraco, mas isso não faz dele terrível. Continua a ser interessante e, acima de tudo, entretém até ao fim.
Desta vez, o filme funciona como uma prequela, com ligeiras ligações ao original. Nada é explicado de forma evidente e quem não estiver atento pode nem perceber como certas peças encaixam no universo de REC. Essas ligações são discretas e até funcionam melhor assim, sem sublinhados desnecessários.
A história acompanha um casamento que corre completamente mal quando os convidados começam a comportar-se como zombies. O filme é violento, tem um bom ritmo e desta vez abdica da tensão, dando maior oportunidade ao humor negro.
Contudo, o maior problema continua a ser o abandono do found footage. Ao perder esse formato, o filme perde também a claustrofobia, o realismo e aquela sensação mais suja e opressiva que definiu os dois primeiros capítulos. Torna-se menos sinistro, o que acaba por lhe roubar identidade dentro da própria saga.
O final também deixa a desejar. Mesmo entendendo a decisão criativa, esperava algo diferente e mais satisfatório. Não arruína o filme, mas termina com uma sensação de frustração.
Ainda assim, REC 3 está acima de muitas produções norte-americanas de zombies e está longe de ser genérico. É um capítulo mais campy, mais leve e assumidamente mais divertido. Entendo perfeitamente a razão de não ser o favorito dos fãs, mas também acho que o ódio que recebe é exagerado. Não é incrível, mas funciona e foram 80 minutos bem passados.
Em 11 Feb 2026