Autor: Filipe Manuel Neto
**Quais os limites da loucura, do orgulho e do oportunismo?**
Este filme é baseado ligeiramente numa história real, de prisioneiros de guerra britânicos que trabalharam na construção de linhas férreas indo-chinesas ao serviço do Japão durante a Segunda Guerra Mundial.
É claro que o filme (assim como, quiçá, o livro onde se baseia) toma muitas liberdades criativas e não se apega à verdade dos factos. De fato, o filme procura usar este incidente para retratar a loucura da honra em tempo de guerra: por um lado, temos um oficial japonês que terá de se matar se não completar a ponte dentro do prazo; por outro, um coronel inglês que exige que o estatuto militar dos prisioneiros, protegido ao abrigo de uma série de acordos internacionais, seja respeitado pelos seus captores. Inicialmente, ambos colidem. Porém, com o avançar do filme, unem esforços para construir uma ponte sólida que, por um lado, salve a face dos japoneses e, por outro, seja motivo de orgulho para os britânicos. Parece uma loucura? Chega ao ponto de os ingleses podiam ter sido acusados de colaborar com o inimigo.
Alec Guinness é o actor mais notável, com um papel e desempenho verdadeiramente excepcionais, mas William Holden e Sessue Hayakawa também merecem aplausos. Há outros bons actores aqui, mas eu destaquei estes pelo pendor psicológico das suas personagens. Há psicologia de sobra neste filme. A fotografia também é boa, com luz e cores aconchegantes, que nos dão a verdadeira sensação do calor da floresta tropical. Outro ponto que destaco são os figurinos, especialmente os dos prisioneiros. Um exército de pés-descalços! Uma palavra final para o uso da famosa "Colonel Bogey March" que, por causa deste filme, se tornou numa das mais famosas marchas militares do mundo.
Em 14 Jul 2018