Autor: Filipe Manuel Neto
**Excelente.**
Não posso falar muito acerca de Roman Polanski porque sinto que vi muito pouco da sua obra para fazer uma análise mais global. Das suas obras cinematográficas, vi somente _A Nona Porta_, _O Pianista_ e, agora, este mesmo filme. É pouco… mas a verdade é que são três filmes que gostei muito, e acerca dos quais tenho uma opinião muito boa. Este filme é realmente muito bom, enquadrando-se num estilo que podemos chamar “neo-noir”, na medida em que a sua estética visual se inspira bastante no ‘noir’, com as ressalvas devidas, pois é um filme colorido e não a preto-e-branco. Polanski é um director atento e meticuloso que dá ao público com um trabalho de qualidade, em que os detalhes foram todos pensados.
Com uma história ambientada na São Francisco da década de 30, o filme parece-se muito com os filmes de gangsters que saíram nos anos 40 e 50. A história gira em torno de um detective particular, ex-polícia, contratado para vigiar um homem naquilo que parece ser só mais um caso de adultério. Tudo muda quando ele descobre que a mulher que o contratou não é uma esposa ciumenta. A busca por respostas irá levá-lo até a uma teia de intrigas e crimes que envolve uma importante empresa californiana e uma empreitada de obras públicas que pode ser determinante na captação de água potável para a cidade. É uma excelente história, capaz de nos prender logo aos primeiros minutos e que combina harmoniosamente tensão, romance e ‘suspense’, nas medidas certas.
Além de uma excelente história, com um roteiro muito bem escrito, o filme apresenta-nos um elenco de grande qualidade encabeçado por Jack Nicholson, numa fase da sua vida em que era ainda suficientemente jovem e elegante para fazer papéis de galã. O actor é muito bom e deixa neste filme um dos trabalhos mais interessantes da sua carreira. Faye Dunaway não fica atrás e é simplesmente maravilhosa, digna e elegantemente sedutora, como uma “femme fatale” tem de ser. John Huston (sogro de Nicholson na vida real, nesta época) também aparece no filme e faz uma participação muito positiva e interessante.
A somar a estas qualidades, o filme apresenta ainda soberbos valores de produção: filmado de maneira impecável, com grandes ângulos e nitidez, tem uma cinematografia muito boa, belas cores e efeitos de luz e sombra, além de excelentes tons de sépia que são chamados a reforçar toda a ambiência ‘vintage’ dominante. O filme foi uma produção muito detalhada, em que foi dada uma atenção especial à elaboração dos cenários e à escolha dos locais de filmagem, de modo que tudo se encaixasse bem no período histórico. Também a escolha dos automóveis (importantes no decurso da trama) e a concepção dos figurinos e adereços foi muito criteriosa. Por fim, mas não menos importante, uma nota de louvor para a banda sonora excelente, idealizada por Jerry Goldsmith.
Em 28 Jul 2022