Autor: Filipe Manuel Neto
**Datado e sem grandes apelativos para o público actual.**
Há comédias bem feitas, elegantes, interessantes, e há comédias que não têm interesse e só irão ter algum tipo de apelo adicional para aqueles que as viram quando jovens ou na época em que fizeram sucesso. Eu acho que este filme se encaixa no segundo grupo: tudo se passa no ‘campus’ de uma universidade onde o reitor tenta, com a ajuda de um grupo de alunos, elaborar um plano para extinguir uma república de estudantes famosa pela abundância de problemas e pelo fraco aproveitamento escolar. Claro, os estudantes desta república regada a cerveja e a loucura vão arranjar meio de ripostar à altura.
Este é um filme especialmente voltado para adolescentes rebeldes que surgiu num tempo em que ser rebelde era a moda. O mundo estava a fazer o rescaldo da Revolução Sexual e a debater-se com os primeiros problemas derivados dos abusos de drogas e álcool que se tinham alastrado no começo da década, mas ainda havia quem procurasse manter esta chama revolucionária acesa. Hoje, passados quase cinquenta anos, com quase todos estes actores a experimentarem as dores da terceira idade, é um filme que está esquecido e que parece totalmente distante das nossas realidades actuais. Um filme datado, envelhecido e sem interesse particular.
Para mim, o ponto mais positivo e mais interessante que este filme teve foi a participação inspirada e bem humorada de Donald Sutherland, actor que actualmente é um veterano e tem um palmarés de trabalhos e de prémios a apresentar. O facto de o ver aqui parece até estranho, considerando quem ele é hoje, mas ele parece estar simplesmente a divertir-se e a aproveitar o prazer de fazer aquilo que mais gosta. Não posso dizer que o restante dos actores tenha feito um mau trabalho. Acho, sinceramente, que todos eles estiveram muito bem, dentro daquilo que lhes era pedido. Simplesmente eles não podem fazer milagres.
Em 22 Jan 2024