Autor: Pedro Quintão
Red Rooms conseguiu deixar-me desconfortável do início ao fim, mas não no sentido fácil da palavra. Não é desconfortável porque mostra violência explícita a cada cinco minutos, mas sim porque mexe com algo muito mais perturbador: a obsessão por serial killers e a forma como algumas pessoas idolatram esses monstros.
O filme é realizado por Pascal Plante e acompanha o julgamento de um assassino de crianças acusado de gravar vídeos snuff das vítimas. A partir daí seguimos duas mulheres que assistem diariamente ao julgamento, pois são ligadas pela mesma fixação doentia em torno do assassino.
A protagonista, interpretada por Juliette Gariépy, é fria, calculista, quase impenetrável. Ao lado dela está a personagem de Laurie Babin, mais emocional, mais impulsiva, mas igualmente perdida naquela obsessão. O interessante é que o filme não tenta justificar as ações destas mulheres e também não tenta humanizá-las.
A nível gráfico, Red Rooms é contido. Não vemos praticamente nada dos crimes. Mas ouvimos e isso acaba por ser perturbador na mesma. O som é suficiente para nos deixar com um nó no estômago.
O ritmo é lento, pois Red Rooms demora a desenvolver e a revelar as suas verdadeiras intenções. Mas como estamos a lidar com uma história que mexe mesmo com algo muito negro, esse ritmo acaba por funcionar. Dá espaço para observar aquelas mulheres, para perceber como vivem e como pensam, mesmo que os seus comportamentos nos revoltem. Não é um filme para todos e muito menos para vermos numa sexta-feira à noite relaxados. Exige paciência e alguma resistência emocional.
Gosto muito da forma como a tensão é construída sem recorrer a truques fáceis. E acreditem, o último ato é bastante tenso, que acaba por culminar num final é ambíguo que não encerra tudo de forma concreta, nem dá respostas claras. Portanto, é um daqueles filmes que precisamos de refletir sobre os acontecimentos depois de o assistirmos, principalmente sobre o que aquelas personagens representam e sobre nós enquanto sociedade obcecada por defender criminosos.
Em suma, Red Rooms não é perfeito. Pode ser demasiado frio e lento para algumas pessoas, mas é diferente, pois não tem medo de mergulhar num lado muito feio e obscuro do ser humano.
Em 16 Feb 2026