Autor: Filipe Manuel Neto
**Interessante, mas podia ser melhor.**
Quando pensamos que vimos um pouco de tudo em terror, vem um filme que nos surpreende com algo novo. Pode ser bom ou mau, melhor ou pior conseguido, mas tem o valor agregado da novidade. Este é um desses casos: filmes sobre casas assombradas há aos montes mas filmes sobre navios assombrados é algo diferente. O director (Steve Beck) e o roteirista (Mark Hanlon) fizeram um trabalho razoável e conseguiram uma história muito interessante, sem os tempos mortos e a violência gratuita que infestam os filmes de terror de hoje. O elenco, liderado por Gabriel Byrne e Julianna Margulies, também fez um trabalho decente, embora eu acredite que Byrne possa admitir que não foi um dos seus melhores filmes.
O sangue é abundante, há cenas capazes de revolver o estômago e momentos em que realmente ficamos presos à tela, mas não é um filme excessivamente gráfico. Tudo repousa lindamente numa fotografia ligeiramente desfocada, um ambiente ameaçador e sombrio, discretamente acentuado por efeitos sonoros. Os cenários decadentes do navio foram projectados nos mínimos detalhes e são elegantemente comparados ao seu aspecto "original" através do uso de um tipo de "alucinações" que se assemelham a flashbacks. Um dos momentos mais impressionantes, no entanto, é a cena de abertura. É algo que nós simplesmente não esperamos ver. O fim não é tão forte porque nós, a partir do meio, podemos prever alguns dos pontos-chave do enredo, o que tira o impacto do clímax. A meio do filme, o director e roteirista perdem-se um pouco, revelando-se incapazes de fechar melhor a trama.
Confesso que este filme me impressionou quando o vi pela primeira vez. Adorei então, e ainda é um dos meus filmes de terror favoritos, pelo seu potencial e pelo ambiente carrancudo mais do que pela qualidade. Não é um grande filme, não é uma obra de arte, mas é divertido e dá alguns arrepios agradáveis.
Em 01 Apr 2018