Autor: victor damião
"A Grande Inundação" me conquistou justamente porque começa com a aparência de um filme de catástrofe, mas aos poucos revela ser algo muito mais íntimo, melancólico e filosófico. Em vez de se limitar ao espetáculo da destruição, o longa se transforma numa reflexão sensível sobre maternidade, perda, memória e sobre aquilo que ainda nos torna humanos quando a própria vida parece ter sido profundamente reconfigurada pela tecnologia.
O que mais me marcou foi a ideia da “primeira vida” de An-na, porque é ela que dá verdadeiro peso emocional a tudo o que o filme desenvolve depois. Assim, a obra deixa de ser apenas um exercício de ficção científica e passa a carregar o eco de uma dor autêntica, de uma experiência humana original que continua reverberando nas simulações, nos corpos artificiais e nos laços afetivos construídos ao longo da narrativa.
Para mim, o grande acerto do filme está em transformar a inundação não apenas em desastre físico, mas também em metáfora de colapso emocional e existencial. Isso faz com que a história alcance uma dimensão muito mais profunda, em que o apocalipse serve menos para impressionar visualmente e mais para investigar o que resta de nós diante da perda, da reconstrução e da permanência da memória. No fim, vejo A Grande Inundação como um filme triste, ambicioso e sensível, que usa a ficção científica e o cenário apocalíptico para falar, acima de tudo, daquilo que nem a morte nem a artificialidade conseguem apagar completamente: o amor e a experiência vivida.
Por isso minha nota é 7/10, um filme divertido, eu recomendo.
Disponível na Netflix.
Em 23 Mar 2026